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Mato Grosso do Sul
Estado lidera incidência nacional e concentra municípios em situação de epidemia
Publicado em 31/03/2026 1:38 - Semana On e Agência Brasil
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A confirmação da primeira morte por chikungunya em Jardim, anunciada pela prefeitura na segunda-feira (30), amplia para sete o número de óbitos registrados em Mato Grosso do Sul em 2026. A doença, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, avança no estado em ritmo superior ao restante do país, segundo dados oficiais.
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A vítima mais recente é uma mulher de 83 anos, com comorbidades como hipertensão, obesidade e cardiopatia — fatores que aumentam o risco de agravamento da infecção. O histórico clínico aponta que ela buscou atendimento no Hospital Marechal Rondon no dia 17 de março, apresentando sintomas como mal-estar, cefaleia, dores no corpo e inapetência. Após a realização de exames laboratoriais no dia seguinte, foi internada em 20 de março. Três dias depois, acabou transferida para o Hospital de Coxim, onde morreu na quarta-feira (25).
Com o novo registro, o estado contabiliza uma sequência de mortes que atinge diferentes faixas etárias e localidades, evidenciando a disseminação da doença. Entre os casos confirmados estão uma mulher de 69 anos e um homem de 73 anos, ambos da Aldeia Jaguapiru; uma mulher de 60 anos, também da mesma comunidade; além de um homem de 72 anos, em Bonito. Chamam atenção ainda os óbitos de dois bebês — um de três meses, na Aldeia Bororó, e outro de apenas um mês, na Aldeia Jaguapiru — o que reforça a vulnerabilidade de extremos etários diante da chikungunya.
O avanço da doença se reflete também nos indicadores epidemiológicos. Mato Grosso do Sul apresenta atualmente a maior incidência de chikungunya do país, com 122,7 casos por 100 mil habitantes. Ao todo, são 3.588 casos prováveis e sete mortes confirmadas. Em comparação, o Brasil registra 21.692 casos prováveis e 15 óbitos, com incidência de 10,2 — uma diferença que evidencia a gravidade do cenário estadual.
Dos 79 municípios sul-mato-grossenses, ao menos 12 já se encontram em situação de epidemia: Fátima do Sul, Jardim, Sete Quedas, Vicentina, Selvíria, Corumbá, Antônio João, Guia Lopes da Laguna, Bonito, Água Clara e Douradina. Nos três primeiros meses de 2026, o estado acumula o segundo maior número de casos desde o início da série histórica, em 2015.
Diante do quadro, a Secretaria de Estado de Saúde tem reforçado estratégias em múltiplas frentes. Segundo a secretária-adjunta Crhistinne Maymone, as equipes estão mobilizadas tanto para o manejo clínico quanto para o controle do vetor. “No manejo clínico, estamos preparando as equipes para o diagnóstico diferencial entre dengue e chikungunya e para a condução adequada dos casos desde a entrada do paciente na unidade de saúde ou hospital. Também intensificamos as ações de controle vetorial”, afirmou.
A autoridade sanitária também destacou o papel da população na contenção da doença, especialmente na eliminação de criadouros do mosquito. A recomendação central permanece o cuidado com água parada em residências, medida considerada decisiva para reduzir a proliferação do Aedes aegypti. Ao mesmo tempo, profissionais de saúde seguem em alerta para distinguir corretamente os casos de dengue e chikungunya, condição essencial para o tratamento adequado e a redução de complicações.
Entenda doença que preocupa Mato Grosso do Sul
O governo federal reconheceu situação de emergência em saúde pública em Dourados em razão de doenças infecciosas virais, incluindo diversos casos de infecção por Chikungunya. Na última sexta-feira (27), a prefeitura já havia editado decreto declarando situação de emergência em áreas do município afetadas pela doença.
Dados do boletim epidemiológico divulgado pouco antes indicam 1.455 casos prováveis, 785 confirmados, 900 em investigação e 39 internações na área urbana. Também há 539 casos em investigação, 629 confirmados e 1.168 prováveis, além de sete internações, 428 casos com atendimento hospitalar e cinco óbitos confirmados na Reserva Indígena de Dourados.
Em nota, a Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul informou que o estado vai receber doses da vacina contra o Chikungunya como parte de uma estratégia piloto elaborada pelo Ministério da Saúde. A inclusão do estado ocorre após solicitação formal ao governo federal, motivada pelo cenário epidemiológico de arboviroses registrado em Dourados, sobretudo em territórios indígenas.
A doença
A chikungunya é uma arbovirose cujo agente etiológico é transmitido pela picada de fêmeas infectadas do gênero Aedes. De acordo com o ministério, no Brasil, até o momento, o vetor envolvido na transmissão é o Aedes aegypti. Introduzido no continente americano em 2013, o vírus foi responsável por uma epidemia em diversos países da América Central e nas ilhas do Caribe.
No segundo semestre de 2014, o Brasil confirmou, por métodos laboratoriais, a presença da doença nos estados do Amapá e da Bahia. Atualmente, todos os estados registram transmissão do arbovírus. Em 2023, o ministério cita uma importante dispersão territorial do vírus no país, principalmente em estados da Região Sudeste. Anteriormente, as maiores incidências de chikungunya concentravam-se no Nordeste.
As principais características clínicas da infecção são edema e dor articular incapacitante, mas também podem ocorrer manifestações extra-articulares. Casos graves podem demandar internação hospitalar e evoluir para óbito. O vírus também pode causar doença neuroinvasiva, caracterizada por agravos neurológicos como encefalite, mielite, meningoencefalite, síndrome de Guillain-Barré, síndrome cerebelar, paresias, paralisias e neuropatias.
Sintomas
Os principais sintomas da infecção pelo vírus Chikungunya, de acordo com o ministério, são:
Febre;
dores musculares;
dor de cabeça;
dores intensas nas articulações;
manchas vermelhas pelo corpo;
dor atrás dos olhos;
dor nas costas;
conjuntivite não purulenta;
náuseas e vômitos;
edema nas articulações (geralmente as mesmas afetadas pela dor intensa);
prurido (coceira) na pele, que pode ser generalizada, ou localizada apenas nas palmas das mãos e plantas dos pés;
diarreia e/ou dor abdominal (manifestações do trato gastrointestinal são mais presentes em crianças);
dor de garganta;
calafrios.
Fases
Segundo a pasta, a doença pode evoluir em três fases:
Febril ou aguda, com duração de cinco a 14 dias;
pós-aguda, com curso de 15 a 90 dias;
crônica, caso os sintomas persistam por mais de 90 dias. Em mais de 50% dos casos, a artralgia (dor nas articulações) torna-se crônica, podendo persistir por anos.
“É possível que se desenvolvam manifestações extra-articulares, ou sistêmicas: no sistema nervoso, cardiovascular, pele, rins e outros”, destacou o ministério.
Diagnóstico
O diagnóstico da chikungunya tem componentes clínicos e laboratoriais e deve ser feito por um médico. Todos os exames laboratoriais para acompanhamento do quadro clínico e os testes diagnósticos (sorológicos e moleculares) estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).
Em caso de suspeita da doença, a orientação do ministério é que a notificação seja inserida no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan Online) em até sete dias. Já em caso de óbitos, a notificação deve ser feita à própria pasta em até 24 horas.
Deve-se considerar como caso suspeito paciente que apresente febre de início súbito, acompanhada de artralgia ou artrite intensa (dor nas articulações) de início agudo, não explicado por outras condições, residente em (ou que tenha visitado) áreas com transmissão até duas semanas antes de começar os sintomas, ou que tenha vínculo epidemiológico com caso confirmado.
Tratamento
O tratamento da infecção por Chikungunya é feito de acordo com os sintomas, já que, até o momento, não há tratamento antiviral específico para a doença. A terapia utilizada é analgesia e suporte.
A orientação do ministério aos profissionais de saúde é estimular a hidratação oral dos pacientes e que a escolha dos medicamentos seja realizada após a avaliação do quadro clínico, com aplicação de escalas de dor apropriadas para cada idade e fase da doença.
Em casos de comprometimento musculoesquelético importante, e sob avaliação médica conforme cada caso, pode ser recomendada ainda fisioterapia.
“Em caso de suspeita, com o surgimento de qualquer sintoma, é fundamental procurar um profissional de saúde para o correto diagnóstico e prescrição dos medicamentos, evitando sempre a automedicação”, reforçou a pasta, citando que a automedicação pode mascarar sintomas, dificultando o diagnóstico e agravando o quadro.
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