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Mato Grosso do Sul
Piscicultura ganha novo fôlego e deve produzir 50 mil toneladas neste ano
Publicado em 10/11/2025 3:28 - Semana On
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Mato Grosso do Sul registrou desempenho positivo na balança comercial entre janeiro e outubro de 2025, com crescimento de 4,24% nas exportações em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando US$ 9,08 bilhões. O saldo da balança comercial atingiu US$ 6,91 bilhões, 8,98% superior ao de 2024. Os dados estão no Boletim de Comércio Exterior, elaborado pela Assessoria Especial de Economia e Estatística (ASECON) da Semadesc, referentes ao mês de outubro.
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A celulose permanece como principal produto da pauta exportadora, respondendo por 29,34% do total exportado e alcançando 5,8 milhões de toneladas no período. A soja aparece em seguida (24,51%), acompanhada da carne bovina (16,36%), que teve expressivo aumento de 46,6% em volume em relação a 2024. O minério de ferro também se destacou, com alta de 61,2% e volume recorde de 7,79 milhões de toneladas exportadas pelo rio Paraguai, confirmando a relevância logística dos portos de Corumbá e Porto Murtinho.
Para o secretário Jaime Verruck, da Semadesc, os números refletem a consolidação do Estado em setores estratégicos e a diversificação dos destinos e produtos exportados. “Nós temos uma avaliação bastante positiva.
O primeiro fato a destacar é a celulose, que teve crescimento de 25% e já posiciona Mato Grosso do Sul como o maior exportador do país, impulsionado pela operação plena da Suzano em Ribas do Rio Pardo. Também tivemos avanço significativo nas exportações de carne bovina e recorde no minério de ferro, com 7,8 milhões de toneladas embarcadas”, afirmou.
Segundo ele, mesmo com desafios como a tarifa imposta pelos Estados Unidos sobre a carne bovina brasileira, houve reposicionamento das exportações para outros mercados, especialmente o México. “Os Estados Unidos ainda aparecem como o sexto destino das exportações sul-mato-grossenses, mas o México ganhou importância. A China segue como nosso principal parceiro comercial, absorvendo 45,61% do total exportado”, destacou o titular da Semadesc.
O secretário também ressaltou o papel crescente da logística fluvial. “Corumbá já acumula mais de 8 milhões de toneladas exportadas neste ano, resultado dos investimentos nos terminais portuários. Em Porto Murtinho, a exportação de soja já soma 375 mil toneladas, demonstrando a consolidação da hidrovia como alternativa para o escoamento da produção”, explicou.
No campo das importações, Mato Grosso do Sul registrou retração de 8,43%, totalizando US$ 2,17 bilhões no período. O gás natural manteve-se como principal item importado, com queda de 31% em relação a 2024, fator que impactou diretamente na arrecadação estadual. Em contrapartida, houve aumento na importação de equipamentos para o setor de celulose, especialmente destinados à nova planta da Arauco, em Inocência.
Três Lagoas se mantém como o maior município exportador sul-mato-grossense, representando 19,46% das vendas externas, seguido por Ribas do Rio Pardo (14,62%) e Campo Grande (7,5%). Os principais portos utilizados foram Santos (39,02% das exportações), Paranaguá (32,7%), São Francisco do Sul (12,09%) e Corumbá (5,15%).
De acordo com Jaime Verruck, o desempenho do comércio exterior confirma o dinamismo da economia sul-mato-grossense. “Os resultados mostram a força do setor produtivo e o impacto direto das exportações sobre o desenvolvimento regional, reforçando o papel de Mato Grosso do Sul como protagonista nacional na produção sustentável e industrialização baseada em inovação”, concluiu.

Piscicultura ganha novo fôlego em MS
A piscicultura sul-mato-grossense, que deve fechar o ano com produção de 50 mil toneladas de pescado, vive um novo ciclo de crescimento impulsionado pelas ações de apoio à produção do Governo do Estado.
As iniciativas — que incluem isenções de ICMS, créditos fiscais outorgados para produtores e estabelecimentos industriais cadastrados no PROAPE, além de investimentos em infraestrutura, como asfaltamento e melhoria de estradas vicinais — foram destacadas na última sexta-feira (7), durante o 1º Dia de Campo de Peixes Nativos, realizado no Projeto Pacu, em Terenos.
O evento teve como objetivo difundir conhecimentos práticos e tecnológicos sobre o cultivo de peixes nativos, promovendo a inovação na atividade aquícola, a sustentabilidade ambiental e a valorização da produção regional.
Promovido pela Semadesc, por meio da Agraer, em parceria com o Senar-MS, o Dia de Campo contou com a presença do secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Rogério Beretta, de representantes do Ministério da Pesca e Aquicultura, da Superintendência Federal de Agricultura (SFA/MS), do secretário municipal de Agricultura de Terenos e do diretor-presidente do Projeto Pacu e proprietário da área, Simão Brun.
Brun agradeceu a parceria e destacou as ações realizadas pelo Governo do Estado em prol da piscicultura.
“Sou produtor de alevinos e, embora não esteja habituado a discursar em eventos como este, desejo expressar minha gratidão. Há 37 anos atuamos nesta localidade e, nos últimos anos, passamos a contar com a pavimentação asfáltica no trecho final. Essa melhoria transformou significativamente nossa rotina e a dos produtores. Agradeço ao Governo do Estado, que iniciou o projeto com o ex-governador Reinaldo Azambuja e teve continuidade com o atual governador Eduardo Riedel”, afirmou.
Ele também ressaltou a importância dos incentivos fiscais para o fortalecimento da atividade.
“Agradeço à Semadesc pelo Programa Peixe Vida, o PROPEIXE. O programa representa um grande avanço. Antes pagávamos um imposto considerável e, agora, a alíquota foi reduzida para cerca de 1%. Esse incentivo abriu novas oportunidades de comercialização: hoje podemos vender nossos produtos para estados como São Paulo, Minas Gerais e Goiás, buscando melhores condições. Essa conquista é fruto da persistência da Câmara Setorial ao longo dos anos e alcançá-la neste governo é motivo de grande satisfação. O incentivo beneficia tanto os produtores de alevinos quanto os dedicados à engorda”, completou Brun.
Competitividade e segurança na produção
O secretário Rogério Beretta destacou que a meta do Governo é tornar a piscicultura sul-mato-grossense mais competitiva, sustentável e integrada à lógica de desenvolvimento multiproteína do Estado. Ele enfatizou a importância da colaboração interinstitucional para o fortalecimento da cadeia produtiva.
“A colaboração e a parceria me motivam profundamente. A sinergia entre o Senar-MS, a Agraer, a Semadesc, a Superintendência Federal de Agricultura e a Iagro, unidas em prol do desenvolvimento da piscicultura, é notável. Agradeço a presença de todos os técnicos e produtores que hoje buscam conhecimento. Destaco o trabalho da Câmara Setorial da Piscicultura, que conta com representantes de todos os segmentos e atua de forma colaborativa, refletindo as reais necessidades do setor”, afirmou.
Ele lembrou que a Semadesc atendeu a uma das principais demandas da Câmara Setorial: a redução do ICMS na saída de peixes do Estado, quando necessário.
“Nosso objetivo é que os produtores vendam para as indústrias locais, mas também garantir que obtenham o máximo de lucro. Na Secretaria, implementamos o Programa de Fomento ao Desenvolvimento da Cadeia da Piscicultura (Propeixe) e o programa de incentivo Peixe Vida. Embora a adesão ainda esteja crescendo, o Estado já distribui anualmente cerca de R$ 2,5 milhões a R$ 3 milhões em incentivos aos produtores. Esse apoio é fundamental para o fortalecimento do setor”, destacou Beretta.
Peixe Vida
O evento contou com estações de aprendizado prático, nas quais os participantes puderam vivenciar diferentes etapas do manejo da piscicultura, favorecendo a troca de experiências e o aprimoramento técnico.
De acordo com a gestora do Programa Peixe Vida, Cinthia Baur, atualmente Mato Grosso do Sul possui 3.324 hectares de piscicultura, com 10.305 viveiros e 2.456 tanques-rede. Os maiores produtores estão nos municípios de Terenos, Mundo Novo, Paranaíba e Aparecida do Taboado.
“Esses números vêm crescendo após as mudanças implementadas neste ano no Programa Peixe Vida. Nossa meta é atingir 50 mil toneladas de produção até o final de 2025”, informou Cinthia.
O programa estabelece isenção de ICMS para operações internas com peixes frescos ou congelados realizadas por revendedores e estabelecimentos credenciados, desde que os produtos sejam adquiridos de piscicultores ou indústrias igualmente habilitados. Também há isenção para vendas diretas feitas por piscicultores a MEIs e empresas do Simples Nacional que não realizam industrialização.
Já nas operações interestaduais, é concedido crédito fiscal de 5% sobre a base de cálculo, o que, somado a outros incentivos, reduz a carga tributária efetiva para cerca de 1%. Esse benefício se aplica exclusivamente aos piscicultores cadastrados no subprograma Peixe Vida, integrante do Plano Estadual de Desenvolvimento da Piscicultura – PROPEIXE.
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