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Mato Grosso do Sul

Celulose impulsiona industrialização e bate recorde nas exportações de MS

Com avanço sobre soja e carne bovina, setor florestal reposiciona Estado no mercado global

Publicado em 26/11/2025 9:53 - Semana On

Divulgação Gov MS

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A revolução silenciosa das florestas cultivadas em Mato Grosso do Sul pode não provocar o mesmo impacto visual que o avanço das lavouras ou o crescimento urbano. Mas em 2025, elas reescreveram — com celulose — a história econômica e social do estado.

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O ano marca um ponto de inflexão para Mato Grosso do Sul no cenário do comércio internacional. Pela primeira vez, a celulose supera a soja e a carne bovina como principal produto de exportação do estado, consolidando um processo de industrialização acelerada que ressignifica o papel de MS na economia brasileira e no mercado global. Entre janeiro e outubro, o setor movimentou US$ 2,6 bilhões, liderando as vendas externas e contribuindo decisivamente para o maior volume exportado da história industrial sul-mato-grossense: US$ 6,51 bilhões, segundo a Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems).

Apenas o setor de papel e celulose respondeu por 29% de tudo o que o estado exportou no ano, à frente do tradicional complexo da soja e das carnes. Esse protagonismo é reflexo direto de investimentos bilionários realizados ao longo da última década, sobretudo na região leste, onde cidades como Três Lagoas, Água Clara e, mais recentemente, Ribas do Rio Pardo se tornaram polos industriais do eucalipto — espécie que hoje ocupa 1,79 milhão de hectares, distribuídos por 74 dos 79 municípios do estado.

Industrialização com raízes profundas

A instalação de grandes plantas de produção de celulose modificou não apenas o perfil econômico do estado, mas também sua organização territorial, social e ambiental. Municípios antes dependentes da pecuária extensiva ou de culturas sazonais viram surgir empregos mais qualificados e cadeias produtivas paralelas, como os viveiros de mudas clonais, que já produzem até 500 mil mudas por mês na região de Campo Grande.

Esse processo de diversificação produtiva ocorre dentro de uma lógica de “agrindustrialização da floresta”, como define o sociólogo e economista Ignacy Sachs. Para ele, o desenvolvimento sustentável precisa ser “ecologicamente equilibrado, economicamente eficaz e socialmente justo” — uma equação que o caso de Mato Grosso do Sul começa a tentar resolver, com todos os seus desafios e contradições.

A força da indústria no século XXI

O setor industrial como um todo foi responsável por 72% das exportações sul-mato-grossenses em 2025, com destaque também para o complexo frigorífico (US$ 1,9 bilhão) e os óleos vegetais (US$ 475,6 milhões). Somados, celulose, carnes e derivados da soja representaram impressionantes 81% das exportações industriais do estado, segundo a Fiems.

Entre os principais compradores da celulose sul-mato-grossense estão China, Itália, Holanda, Estados Unidos e Turquia — um leque geográfico que evidencia a inserção estratégica do produto nos fluxos globais de produção e consumo. No caso das carnes, China, Estados Unidos, Chile, México e Japão lideram as importações, enquanto os óleos vegetais seguem em direção à Holanda, Indonésia, Índia, Polônia e Espanha.

Esse desempenho não apenas reposiciona o estado no mercado internacional, como reforça uma tendência nacional de reindustrialização com base em cadeias produtivas modernas e sustentáveis. É o que destaca o professor Ricardo Abramovay, da USP, especialista em economia ecológica: “A competitividade do Brasil no século XXI dependerá da sua capacidade de combinar biodiversidade, inovação e inclusão social em novos arranjos produtivos”.

Entre o agro e a floresta: tensões e transições

O avanço da celulose também reflete transformações estruturais no campo brasileiro. A conversão de áreas antes dedicadas à soja e à pecuária em plantações de eucalipto gerou debates sobre uso da terra, concentração fundiária e monocultura. Em Ribas do Rio Pardo, por exemplo, mais de um quarto da produção de eucalipto do estado se concentra em um único município, colocando em questão os limites da especialização produtiva.

Sob esse prisma, a industrialização baseada no setor florestal traz dilemas semelhantes aos enfrentados pelo agronegócio: como garantir que o crescimento econômico não se traduza em desigualdade territorial, precarização do trabalho ou danos ambientais de longo prazo? A resposta passa por políticas públicas integradas que combinem infraestrutura logística, educação técnica e planejamento ambiental — áreas em que o estado ainda enfrenta gargalos.

O papel do estado na nova geoeconomia brasileira

A guinada industrial de Mato Grosso do Sul deve ser lida como parte de um processo mais amplo de deslocamento do eixo produtivo do Brasil em direção ao Centro-Oeste, região que cresce acima da média nacional há mais de duas décadas. Como aponta o economista Ricardo Bielschowsky, da UFRJ, “o desenvolvimento regional precisa ser planejado de forma a aproveitar as vantagens comparativas sem reproduzir desigualdades históricas do país”.

Neste contexto, o avanço da celulose em MS é um sintoma — e também um motor — de novas configurações econômicas no país. Um estado que há poucas décadas era visto como periférico ao processo industrial brasileiro agora disputa posições centrais no comércio exterior. Mas o salto produtivo precisará ser acompanhado por um salto institucional: garantir que o crescimento seja também um vetor de cidadania, equidade e sustentabilidade.

Estado colhe resultados de políticas públicas e marca PIB histórico, diz secretário

“Mato Grosso do Sul encerrou 2023 com o maior crescimento econômico de sua história recente: 13,4%, segundo dados divulgados pelo IBGE. O desempenho coloca o Estado entre os que mais avançaram no país, com um resultado quase quatro vezes superior ao PIB nacional, que ficou em torno de 3,2%, e também acima do ritmo de expansão da China, estimado em aproximadamente 4% no período”, destacou o secretário de Estado da Casa Civil, Walter Carneiro Júnior, em entrevista à rádio FM Cidade.

O número, apelidado pelo Governo estadual de “Pibão”, consolida Mato Grosso do Sul como um dos principais protagonistas da economia brasileira.

O salto no PIB reflete a estratégia do Governo de diversificar a economia e ampliar a competitividade do Estado. Entre os setores que mais contribuíram para o crescimento estão a agropecuária, insdustria de transformação e o setor de serviço, que segue sendo o maior componente dos avaços do Estado.

“Além da força dos setores produtivos, o Estado vive um ciclo de investimentos privados sem precedentes”, explicou o secretário, citando os grandes projetos industriais, como as duas maiores plantas de celulose do Brasil em construção — Bracell (Bataguassu) e Arauco (Inocência), que movimentam a economia regional e ampliam a geração de emprego e renda.

Outro grande aliado aos desempenho positivo, segundo o Governo do Estado, são as parcerias com prefeituras, bancada federal, Assembleia Legislativa e União que ampliaram a capacidade de entrega e geraram ambiente favorável aos negócios.

“Essa união tem garantido estabilidade, segurança jurídica e ambiente favorável para novos investimentos e tem papel fundamental na viabilização de obras e projetos”, completou.

Outro destaque é o MS Ativo – Municipalismo, programa que leva obras de pavimentação, saneamento e infraestrutura diretamente aos municípios. Parte das cidades já alcançou 100% de asfalto e saneamento, e as intervenções continuam avançando até 2026. Segundo o Governo, esses investimentos locais foram decisivos para impulsionar o ciclo de crescimento que resultou no “Pibão”.

Walter Carneiro Júnior destacou que os investimentos do MS Ativo geraram dinamismo econômico direto nas cidades, mobilizando a construção civil, ampliando a circulação de renda e criando condições para que os indicadores econômicos disparassem.

Para os próximos anos, o Estado prevê manter o ciclo de investimentos públicos e privados, qualificando mão de obra, expandindo educação integral e fortalecendo a competitividade regional.

“A economia sul-mato-grossense vive um momento singular. O resultado do PIB é reflexo do trabalho conjunto e de uma política pública que chega onde precisa chegar: nos municípios e na vida das pessoas”, finalizou Walter Carneiro Junior.

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