Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Mato Grosso do Sul

Brigadas comunitárias atuam na linha de frente contra incêndios no Pantanal e Cerrado

ONGs e especialistas destacam o papel fundamental de brigadas treinadas para combater incêndios florestais, que têm devastado biomas brasileiros em meio à pior estiagem em 44 anos

Publicado em 26/11/2024 12:26 - Semana On

Divulgação Foto: Divulgação/SOS Pantanal

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Enquanto o Brasil enfrenta um cenário de devastação ambiental agravado pela seca mais severa registrada em 44 anos, brigadas comunitárias têm desempenhado um papel crucial no combate a incêndios florestais no Pantanal e no Cerrado. Segundo a ONG WWF-Brasil, o trabalho de brigadistas, formado por voluntários e moradores locais, ajuda a reduzir o impacto de queimadas em áreas de difícil acesso, complementando o trabalho de brigadas oficiais.

Clique para seguir a SEMANA ON no Instagram, no Facebook e no Whatsapp

O Pantanal, a maior planície alagada do mundo, tem enfrentado incêndios anuais que ameaçam sua biodiversidade e geram perdas ambientais irreparáveis. Dados do MapBiomas mostram que, entre janeiro e agosto de 2024, o bioma sofreu um aumento de 249% na área queimada em relação à média dos últimos cinco anos. Ao todo, 1,2 milhão de hectares foram consumidos pelo fogo.

A degradação ambiental no Pantanal é agravada pela diminuição de 61% de sua área alagada entre 1985 e 2023, conforme estudo do Observatório do Clima. Este processo, combinado com estiagens mais longas e cheias menos frequentes, cria condições favoráveis para incêndios mais intensos.

Cerrado em perigo

O Cerrado, conhecido como o berço das águas do Brasil, também enfrenta uma onda de devastação. Em 2023, 1,8 milhão de hectares de vegetação nativa foram perdidos, segundo o MapBiomas. Mais da metade do desmatamento registrado no país ocorre nesse bioma, agravando os impactos das mudanças climáticas.

Entre janeiro e outubro deste ano, o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemaden) registrou 76 mil focos de incêndio no Cerrado e 14 mil no Pantanal, confirmando a gravidade da crise ambiental nos dois biomas.

A resposta comunitária

Diante desse cenário, a WWF-Brasil investiu na formação e fortalecimento de brigadas comunitárias como estratégia de enfrentamento. Em parceria com organizações como Ecoa, SOS Pantanal e o Prevfogo, do Ibama, a iniciativa já treinou 20 brigadas no Pantanal e 12 no Cerrado.

“Com as mudanças climáticas e os incêndios mais frequentes, entendemos que era preciso apoiar a formação de brigadas comunitárias de forma constante”, afirma Osvaldo Barassi Gajardo, especialista em conservação do WWF-Brasil.

As brigadas comunitárias complementam a atuação de forças oficiais, como o Corpo de Bombeiros, e são essenciais para o combate inicial ao fogo em áreas remotas. Até o momento, cerca de 50 brigadas foram fortalecidas, muitas delas formadas por comunidades indígenas, ribeirinhas e fazendeiros locais.

Desde 2000, a organização Ecoa ajudou na criação de 23 brigadas voluntárias, que agora fazem parte de uma rede de 50 equipes no Pantanal. A SOS Pantanal, por sua vez, lidera o projeto “Brigadas pantaneiras”, que já treinou 305 pessoas, com investimentos superiores a R$ 1,3 milhão.

Importância da prevenção e da colaboração

Além do combate direto ao fogo, as ações das brigadas também incluem estratégias de prevenção, fundamentais para proteger biomas tão vulneráveis. O trabalho comunitário, que alia conhecimento local e treinamento técnico, tem se mostrado uma resposta eficaz frente à falta de infraestrutura e ao agravamento da crise climática.

Com o aumento das queimadas e a intensificação das estiagens, especialistas alertam para a necessidade de ampliar os investimentos em iniciativas como estas. “O trabalho das brigadas comunitárias é uma demonstração de resiliência e solidariedade. Sem elas, o impacto seria ainda mais devastador”, destaca a WWF-Brasil.

O futuro do Pantanal e do Cerrado

A luta contra os incêndios florestais no Pantanal e no Cerrado é um reflexo dos desafios climáticos globais. À medida que o Brasil enfrenta os efeitos da mudança climática, fortalecer iniciativas comunitárias e ampliar a preservação ambiental tornam-se imperativos para proteger biomas essenciais para a biodiversidade e o equilíbrio hídrico do país. Enquanto isso, o trabalho incansável das brigadas comunitárias segue como um exemplo de que ações locais podem fazer a diferença em crises globais.


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *