01/03/2024 - Edição 525

Mato Grosso do Sul

Asfalto na Cabeceira do APA gera oportunidades e investimento segue em corredor que ligará à Bioceânica

Bonito vai ampliar divulgação do destino nos países que compõe a Rota

Publicado em 01/12/2022 9:34 - Semana On

Divulgação Gov. MS

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Um cenário que se tornou comum em diversas regiões de Mato Grosso do Sul chegou há menos de um ano na MS-166, entre Antônio João e a Cabeceira do APA, distrito de Ponta Porã. O trecho de 23 quilômetros que antes era estrada de chão ganhou asfalto e já está mudando a realidade do pequeno povoado.

Dona do Mercado Beira Rio, às margens da rodovia, Marly Nunes Fernandes, 51 anos, vê o progresso chegando no distrito que já era movimentado por se tratar de um corredor que liga importantes polos do agronegócio. “O movimento já era grande nessa estrada mesmo sem asfalto. Com o asfalto ficou ainda mais e isso é bom para a gente que mora e trabalha aqui”, disse. Com a estrada pavimentada, o acesso de fornecedores para abastecer o mercado fica mais viável. “É mais seguro [o acesso] e conseguimos ter mais opções de produtos no mercado”, acrescentou.

“A gente sofreu muito”, relembra o também comerciante do distrito, Nilson Pereira, 63 anos, que mora na comunidade desde 1984, onde tem uma lanchonete. “A gente fazia comida e chegamos até a parar um tempo por conta do poeirão que era demais”, recordou. Com o trecho pavimentado, as coisas melhoraram não só para Nilson e Marly, mas para todos os moradores que precisam passar pela rodovia em direção a Antônio João, ou vice-versa. A segurança viária e a rapidez no trajeto são uma realidade que garante oportunidade e desenvolvimento.

Integração com a Bioceânica

A transformação vivida na comunidade será uma realidade para toda a região de Antônio João, Ponta Porã, Maracaju e Guia Lopes da Laguna. A MS-166 receberá mais um trecho asfaltado, nos 13 quilômetros da Cabeceira do APA até o entroncamento com a MS-382. A obra está orçada em R$ 29,4 milhões.

Já seguindo pela MS-382, dois lotes estão em pleno andamento até chegar à BR-060, em Guia Lopes. O primeiro que contempla 37 quilômetros da rodovia já está pavimentado e o segundo, de 39 quilômetros, 12 já tem asfalto e os trabalhos seguem ao longo da rodovia com serviços como terraplanagem. Juntos os dois lotes somam mais de R$ 156 milhões em investimentos.

Também faz parte do corredor de integração com a Bioceânica a pavimentação da MS-270, em um trecho de 35 quilômetros do entroncamento com a MS-164 (Copo Sujo) até a MS-166 (Cabeceira do APA). Para pavimentar o trecho estão sendo investidos R$ 45.358.671,03.

“São obras importantes que já vinham sendo executadas e quando assumi a Seinfra, o pedido do governador foi de continuar os investimentos e assim estamos trabalhando. O primeiro lote da MS-382 já está com condições de ser inaugurado e o segundo lote já está bem encaminhado. A pavimentação dessas três rodovias será de suma importância para o desenvolvimento do Estado e caminha paralelo ao projeto da Bioceânica”, destacou o secretário de Estado de Infraestrutura, Renato Marcílio.

A pavimentação da MS-166 já concluída e que está em licitação, os dois lotes da MS-382 e a obra na MS-270 soma mais de 262 milhões de investimento em 147 quilômetros de rodovia.

Bonito vai ampliar divulgação do destino nos países que compõe a Rota Bioceânica

Depois de participar do 2º Fórum Internacional do Corredor Bioceânico, realizado de 20 a 25 de novembro em Antofagasta (Chile), o prefeito de Bonito, Josmail Rodrigues, está convicto de que Mato Grosso do Sul, e em especial o ecoturismo local integrado com o Pantanal, vai atrair milhares de visitantes paraguaios, argentinos e chilenos. O maior destino de ecoturismo do Brasil sai na frente e vai ampliar as estratégias de promoção nesse novo nicho de mercado.

Em janeiro de 2023, Bonito participa de uma feira de ecoturismo em Santiago, capital do Chile, e a ideia, segundo o prefeito, é direcionar parte da campanha de marketing e promoção em eventos também no Paraguai e na Argentina, com o apoio da Fundação de Turismo do Estado (Fundtur-MS). “A expectativa é muito grande, percebemos que esses países vão descobrir as nossas belezas e o fluxo de turistas latinos vai aumentar consideravelmente”, disse.

Josmail participou das discussões bilaterais na comissão de turismo do fórum e acredita que a formatação de roteiros integrados entre os quatro países vai se alinhar na medida em que o Paraguai conclua a pavimentação da Ruta 15 (faltam 220 km entre Loma Plata e a fronteira com a Argentina) e a área alfandegária crie medidas para facilitar o ir e vir das pessoas. “A questão aduaneira é crucial, hoje opera muito lenta, principalmente na Argentina e no Chile”, apontou.

Menos burocracia

O prefeito bonitense foi questionado nas reuniões da comissão sobre a experiência de cruzar a rota de carro, de Porto Murtinho a Antofagasta, integrando a delegação de onzes chefes do Executivo municipal. “Eu falei que a Bioceânica está se concretizando na parte de infraestrutura, em dois anos vamos ter a ponte sobre o Rio Paraguai, e acreditamos no potencial turístico. Mas, precisamos melhorar muito o sistema de controle migratório nas fronteiras”, disse.

Distante apenas 220 km da fronteira com o Paraguai, em Porto Murtinho – município considerado o portal do corredor -, Bonito está preparada pra receber os turistas latinos, segundo o prefeito. O destino já é visitado pelos vizinhos do Brasil, mas o fluxo ainda é pouco expressivo. Durante o fórum, os representantes paraguaios, argentinos e chilenos manifestaram interesse em criar rotas integradas e atrair também os brasileiros.

Josmail Rodrigues levou ao Chile material de divulgação de Bonito e pessoalmente distribuiu a folhetagem, além de exibir na plenária um vídeo sobre o destino. Liderando a caravana que foi ao Chile, o prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra, também apresentou o potencial turístico de sua cidade e da região durante os pronunciamentos que realizou durante o encontro. Falou da pesca esportiva e citou o ecoturismo com destaque para a observação de aves.

Pontos de apoio

Presente ao fórum, o coordenador-geral de Mobilidade e Conectividade Turística do Ministério do Turismo, Matheus Ribeiro Linhares, considera a Rota Bioceânica estratégica para expansão do turismo rodoviário de proximidade, potencializando destinos como Bonito, Jardim e Porto Murtinho e as cidades que se localizam ao longo do trajeto em direção ao Pacífico, como Loma Plata e Filadelfia (Chaco Paraguaio), Salta e Jujuy (Argentina) e o Deserto do Atacama (Chile).

“Diferente do aéreo, o viajante das estradas, seja de carro, ônibus ou caravanismo, vai querer conhecer localidades próximas de onde está, e o corredor é integrado por uma rede de atrativos naturais e culturais que se apresentam a um raio de 350 quilômetros”, observou. “E não serão apenas os municípios que fazem parte da rota que serão beneficiados, justamente por esse fator” completou, referindo-se às cidades situadas no Pantanal sul-mato-grossense.

Segundo Linhares, o fórum realizado em Antofagasta avançou na parte da governança do turismo, com os países mapeando as oportunidades de negócios e já se discute a criação de uma identidade visual para a rota. Ele destacou que a partir de 2023 as reuniões da comissão serão mais frequentes. “A expansão dos serviços é necessária, como a questão das moedas, e pontos de apoio ao turista, que vai querer viajar para esses destinos de carro”, observou.


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