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Mato Grosso do Sul

Área alagada do Pantanal encolhe 61% em 35 anos, revela estudo do MapBiomas

Perda equivale a 3,5 milhões de hectares de água e reflete transformações profundas no bioma, marcadas por secas prolongadas, cheias cada vez mais curtas e incêndios de alta intensidade

Publicado em 18/11/2024 9:50 - Fabíola Sinimbú - Agência Brasil

Divulgação José Medeiros - Secom/MT

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A extensão das áreas alagadas no Pantanal sofreu uma redução de 61% entre 1985 e 2023, conforme aponta um levantamento inédito do MapBiomas. Essa drástica perda, que equivale a 3,5 milhões de hectares de água, reflete transformações profundas no bioma, marcadas por secas prolongadas, cheias cada vez mais curtas e incêndios de alta intensidade.

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Segundo o relatório, em 2022, o Pantanal registrou apenas 3,3 milhões de hectares alagados, um número 38% menor do que em 2018, ano da última grande cheia, quando 5,4 milhões de hectares ficaram submersos. Além da redução em extensão, a duração das cheias também diminuiu: áreas que antes permaneciam alagadas por mais de três meses secam agora muito mais rapidamente.

Impactos na vegetação e nas queimadas

A diminuição das áreas alagadas está mudando a dinâmica da vegetação local. Cerca de 22% das áreas de savana do Pantanal – o equivalente a 2,3 milhões de hectares – tornaram-se regiões permanentemente secas. Essas mudanças no ciclo hídrico também alimentam um aumento expressivo nas queimadas.

Nos últimos anos, as queimadas têm ocorrido de forma mais intensa e em regiões críticas. Entre 1985 e 1990, o fogo se concentrava em áreas de transição para pastagem. Já após 2018, as chamas atingiram com maior frequência regiões próximas ao Rio Paraguai. Entre 2019 e 2023, os incêndios consumiram 5,8 milhões de hectares, incluindo áreas que antes permaneciam alagadas durante todo o ano. “A frequência de incêndios está associada tanto à vegetação de campo quanto aos longos períodos de seca”, explicou Mariana Dias, pesquisadora do MapBiomas.

Avanço do uso humano e desmatamento

Outro dado preocupante do relatório é o avanço do uso humano das terras. Em 1985, apenas 22% da Bacia do Alto Paraguai (BAP) – que abrange partes do Pantanal, Cerrado e Amazônia – era ocupada por atividades humanas. Esse número saltou para 42% em 2022, concentrando-se principalmente no planalto da BAP, onde 83% das terras são usadas para agricultura e pastagem.

A conversão de áreas naturais para atividades produtivas também chama atenção. Entre 1985 e 2023, 5,4 milhões de hectares de florestas e savanas no planalto foram transformados em pastagens e lavouras, sendo 2,4 milhões de hectares de florestas e 2,6 milhões de savanas. Na planície, embora o impacto tenha sido menor, a perda ainda é significativa: 1,8 milhão de hectares de vegetação natural, incluindo campos alagados e savanas, foram desmatados nesse período.

As pastagens exóticas, por exemplo, passaram de 700 mil para 2,4 milhões de hectares, com mais da metade dessa expansão registrada nos últimos 23 anos.

Desafios para o futuro do Pantanal

A diminuição das áreas alagadas e a intensificação das atividades humanas colocam em risco não apenas a biodiversidade do Pantanal, mas também a própria dinâmica hídrica da região. A Bacia do Alto Paraguai, que desempenha papel essencial para o equilíbrio do bioma, está sob pressão crescente devido ao desmatamento e à expansão agrícola.

Para especialistas, o cenário exige ações urgentes para frear o avanço do desmatamento, mitigar os impactos das mudanças climáticas e garantir a conservação do Pantanal, um dos ecossistemas mais ricos e únicos do mundo.


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