25/04/2024 - Edição 540

Mato Grosso do Sul

Após incêndios destruírem 4 milhões de hectares, Pantanal é reflorestado com mais de 25 mil árvores nativas

MS tem redução de 12% no desmatamento em 2022, aponta levantamento do MapBiomas

Publicado em 16/06/2023 11:47 - Gabrielle Tavares e Thais Libni – G1MS

Divulgação Pantanal está sendo destruído pelo fogo — Foto: Mayke Toscano - Secom - MT

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Três anos após o fogo consumir quase 4 milhões de hectares do Pantanal, o bioma começou a se reerguer. Projeto do Instituto Homem Pantaneiro (IHP) entrou em fase de finalização do plantio de milhares de mudas na região da Serra do Amolar, para recuperar as áreas atingidas pelos incêndios florestais.

O projeto “Mitigação dos efeitos dos incêndios de 2020 e prevenção contra novos incêndios na Serra do Amolar” começou em 2021, mas o processo de plantio de novas mudas foi iniciado no ano passado. Ao todo, estão sendo recuperados 30 hectares na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Acurizal. Em 15 hectares serão plantadas 25 mil mudas, e nos outros 15, a recuperação será por meio de regeneração natural.

São mudas de angico, ipê roxo, ipê branco, paratudo, manduvi, jacarandá, aroeira, cambará, entre outras. Todas elas foram produzidas no viveiro da RPPN Acurizal e no Instituto das Águas da Serra da Bodoquena (IASB).

Na Serra do Amolar, onde é realizado o projeto, foram quase 70% das áreas de proteção viraram cinzas. A primeira fase, que era o plantio, já foi finalizado. Agora, os brigadistas vão acompanhar por 15 meses as áreas reflorestadas, para impedir que elas sejam degradadas por seus “predadores”.

“As formigas são um fator a mais de preocupação nas áreas com esse ambiente degradado. A primeira vez que a gente coloca uma muda lá nova, elas vão atrás de alimento, acabam cortando essas mudas. A gente só precisa controlar nesse período inicial em que as mudas ainda não tiveram pegamento de raiz, ainda têm poucas folhas, folhas jovens. A partir do momento que essas mudas têm folhas suficiente para fazerem fotossíntese, está tudo bem”, explicou a bióloga da instituição, Luciana Zequim.

São os próprios brigadistas que apagaram o fogo em 2020, que trabalharam no replantio das espécies.

“Eu tenho três filhos. Quando eu chego em minha casa depois dos 15 dias que eu passo aqui, conto para eles o que eu fiz, é uma alegria, entendeu? Porque eles sabem que eu não estou fazendo por mim, eu estou fazendo por eles. Para eles verem isso aqui como eu via antes”, conta Manoel Garcia da Silva, chefe da brigada Alto Pantanal.

Além de recuperar a vegetação nativa perdida para o fogo, o IHP quer evitar que as chamas consumam novamente o bioma, como foi em 2020. Para isso, a entidade firmou parceria com o Comando da 18ª Brigada de Infantaria do Pantanal para capacitar equipe de militares.

“A capacitação apresenta a importância da recuperação de áreas atingidas por incêndios florestais e os desafios de recuperar áreas no Pantanal. Além disso, os militares estão acompanhando a coleta de sementes e produção de mudas. Durante uma semana, esses militares da 18ª Brigada de Infantaria do Pantanal estão dando apoio nas ações de plantio de mudas”, explica o presidente do IHP, Ângelo Rabelo.

A Serra do Amolar é classificada pelo Ministério do Meio Ambiente como uma área de conservação de biodiversidade de prioridade extremamente alta. A Unesco denomina essa região como Reserva da Biosfera Mundial e desde 2000 considera o Complexo de Áreas Protegidas do Pantanal (Parque Nacional, RPPN Acurizal, RPPN Penha, RPPN Dorochê e RPPN Rumo ao Oeste) como Patrimônio Natural da Humanidade.

Veja como é feita a restauração de um ecossistema

– Identificação da área degradada: identificar a área que precisa ser restaurada. Esta etapa envolve a coleta de informações sobre a localização, histórico ambiental e uso do solo da área;

Avaliação do estado atual da área: mapeamento necessário para planejar ações adequadas. É essencial para identificar a natureza e a extensão de todos os danos causados ao ecossistema;

– Definição dos objetivos a serem alcançados: a etapa envolve a definição dos objetivos que se espera alcançar com o projeto, como a recuperação de espécies nativas, a melhoria na qualidade do solo e da água e o aumento da biodiversidade;

– Elaboração do plano de restauração: é um documento que define as ações que deverão ser realizadas para cumprir os objetivos definidos. Essas ações incluem, por exemplo, a preparação do solo, a escolha das espécies vegetais, as técnicas de plantio, o controle de erosões, entre outras;

– Implementação das ações previstas no plano: pode levar vários anos, dependendo do tamanho da área e dos objetivos definidos. Durante essa fase, é importante monitorar a recuperação da área, ajustar as ações conforme necessário e controlar as ameaças que possam afetar o sucesso da restauração;

– Monitoramento da área restaurada: o monitoramento da área depois de concluída a intervenção é tão importante quanto a própria intervenção. É preciso avaliar se as ações adotadas estão produzindo os resultados esperados, se existe a necessidade de novas intervenções e identificar possíveis dificuldades que possam impedir a efetiva recuperação da área.

MS tem redução de 12% no desmatamento em 2022, aponta levantamento do MapBiomas

Mato Grosso do Sul aparece em 11º no ranking nacional do Relatório Anual de Desmatamento no Brasil (RAD), do MapBiomas de 2022. De acordo com o levantamento, o desmatamento em Mato Grosso do Sul teve uma redução de 12% em relação ao ano anterior.

Em 2022 foram desmatados 49.162 hectares, diferente de 2021 quando foram desmatados 55.959 hectares.

Ainda conforme o levantamento, a cidade de Corumbá (MS), está na 27 ° posição na lista dos 50 municípios que responderam por 52% da área total desmatada no Brasil em 2022. Neste ano foram 15.749 hectares desmatados no município.

O desmatamento nos biomas brasileiros cresceu 22,3% em 2022, superando dois milhões de hectares destruídos em um ano (equivalente a 90% da área do estado de Sergipe).

O dia com maior área desmatada em 2022 foi 25 de julho, com 6.945 hectares desmatados, equivalente a 8.400 campos de futebol.

Nos últimos quatro anos (2019-2022), foram reportados mais de 303 mil eventos de desmatamento, totalizando 6,6 milhões de hectares – o equivalente a uma vez e meia a área do estado do Rio de Janeiro.

“O desmatamento em 2022 indica que a atividade é executada em larga escala: foram 234,8 hectares por hora ou 5.636 hectares por dia, na média. Somente na Amazônia foram 3.267,5 hectares desmatados por dia ou 136,1 por hora. O aumento da velocidade foi constatado em todos os biomas, menos na Mata Atlântica, onde se manteve estável”, alerta o documento.


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