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Mato Grosso do Sul

Além da carne e da tilápia, ferro gusa de MS também pode sofrer com tarifas

Ataques de Trump ameaçam economia nacional com apoio da extrema direita

Publicado em 18/07/2025 11:12 - Semana On

Divulgação Semana On - IA

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A tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada pelo presidente americano Donald Trump, e comemorada pela extrema direita brasileira e pelo clã Bolsonaro, continua causando problemas também na economia sul-mato-grossense. Depois de setores estratégicos do estado, como a carne bovina e a tilápia, o setor de mineração, com o ferro gusa, também pode sofrer com as retaliações do trumpismo.

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Segundo o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, a nova taxação coloca em risco 91% das exportações de ferro gusa do estado — um setor que enviou, só em 2024, US$ 123,6 milhões aos EUA. “Nós não temos como competir no mercado americano com ferro gusa com a tarifa de 50%. Esse produto terá que ser direcionado ao mercado interno brasileiro, e a gente vai ter uma redução da atividade industrial e na agregação de valor desse minério em Mato Grosso do Sul”, afirma.

A gravidade da situação é ainda mais acentuada pelo fato de que apenas três empresas operam com a produção de ferro gusa no estado. Caso a taxação se mantenha, as perspectivas incluem paralisações, cortes de vagas e aumento do desemprego, atingindo diretamente a cadeia produtiva regional. O presidente da FIEMS, Sérgio Longen, confirmou que só no primeiro semestre de 2025 foram exportadas cerca de 94 mil toneladas de minério, movimentando US$ 40 milhões. “É um segmento que vem crescendo a todo tempo […] está na pauta como prioridade para defendermos o fim dessa sobretaxa”, disse.

Mas o impacto da medida vai além da mineração. A cadeia da carne bovina também já sente os reflexos: frigoríficos como JBS, Minerva Foods, Naturafrig e Agroindustrial Iguatemi suspenderam a produção voltada exclusivamente para o mercado norte-americano, segundo o Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sincadems). A justificativa é logística: com a nova tarifa, exportar tornou-se economicamente inviável. “Se eu produzir e enviar carne hoje, a carga chegará aos EUA já com a tributação adicional. A taxação causou inviabilidade financeira para os produtores”, afirmou o vice-presidente do sindicato, Alberto Sérgio Capucci.

O mesmo panorama se desenha para a produção de tilápia. De acordo com dados da FIEMS, 99,6% da tilápia sul-mato-grossense é exportada aos Estados Unidos — o que representa US$ 3,2 milhões em negócios. O estado ocupa o quinto lugar no ranking nacional da produção, segundo o Anuário da Piscicultura 2024 da Peixe BR. José Charl Noujaim, gerente de exportação de uma das indústrias afetadas, explicou que a empresa tenta renegociar contratos para evitar um colapso na cadeia. “A indústria vai ter que reprogramar toda a produção para ajustar a oferta. Ao reduzir o preço, se torna inviável porque o preço não cobre os custos de produção. Haverá aumento de estoque e pressão para se vender”, alertou.

Embora parte da produção congelada possa ser redirecionada ao mercado interno, a lógica do prejuízo permanece: mais oferta significa preços mais baixos, o que ameaça a sustentabilidade financeira dos produtores locais.

O pano de fundo geopolítico

Mais do que uma disputa comercial, a nova taxação revela uma ofensiva política orquestrada por aliados ideológicos de Trump e Bolsonaro. O economista e professor da UFRJ, Pedro Rossi, já havia alertado que “o uso de tarifas como instrumento de pressão política e retaliação econômica é típico de regimes populistas autoritários, como o que se desenha com a volta de Trump”. Trata-se de uma chantagem estratégica: forçar o governo brasileiro a adotar posturas mais alinhadas à extrema direita sob pena de sofrer represálias econômicas.

Vale lembrar que, em 2020, Trump já havia imposto tarifas ao aço e ao alumínio brasileiros sob justificativas frágeis de “segurança nacional”. Agora, o movimento se repete, mas em um contexto de reorganização geopolítica e de disputa eleitoral nos EUA — e com o bolsonarismo agindo como correia de transmissão desse projeto.

O governo de Mato Grosso do Sul tenta conter os danos. Segundo Verruck, há negociações em curso para garantir que os contratos atuais sejam mantidos, ao menos até que as empresas possam reestruturar suas cadeias produtivas. “Obviamente o ideal é que essa tarifação seja retirada e a gente consiga uma normalidade no mercado sul-mato-grossense”, declarou.

A decisão de Trump não é um ato isolado, mas parte de um projeto maior que visa desestabilizar o governo e o judiciário brasileiro e favorecer a articulação internacional da extrema direita. Mato Grosso do Sul, neste cenário, torna-se um dos primeiros laboratórios do impacto concreto dessas manobras geopolíticas. A crise anunciada atinge diretamente a base produtiva do estado e exige respostas firmes tanto do governo federal quanto das entidades empresariais. O risco não é apenas econômico: trata-se, também, de uma disputa política global cujos efeitos já batem à porta da indústria brasileira.

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