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Mato Grosso do Sul

Aids avança 14% em MS com novos casos em 2025

Testagem e prevenção ganham força no Estado

Publicado em 09/07/2025 1:40 - Semana On

Divulgação Semana On - IA

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Diferente da década de 80, quando era encarada como uma doença sem cura, a Aids tem hoje um novo perfil: com tratamento adequado, pessoas vivendo com HIV podem levar uma vida longa, saudável e sem transmitir o vírus. No entanto, o número de diagnósticos ainda cresce. Em Mato Grosso do Sul, os casos de Aids aumentaram 14% entre 2023 e 2024, segundo dados do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) do Ministério da Saúde. Apenas no primeiro semestre de 2025, foram registrados 130 novos diagnósticos.

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A Secretaria Estadual de Saúde (SES) atribui esse crescimento não a uma piora da situação epidemiológica em si, mas à intensificação da testagem e à ampliação dos serviços de prevenção. “Em 2024, o Brasil superou a meta de pessoas testadas. Esse é o principal ponto: a gente precisa testar, porque ainda há muita gente que não sabe que tem o vírus HIV”, destaca Larissa Martins, gerente de ISTs, Aids e hepatites virais da SES.

A estrutura montada pelo Estado está sendo ajustada para atender uma população em expansão, impulsionada por grandes projetos logísticos e industriais, como a Rota da Celulose, a Rota Bioceânica e os empreendimentos de fronteira. Municípios como Chapadão do Sul e Inocência, este último impactado pela instalação de uma fábrica de celulose de capital chileno, passaram recentemente a oferecer a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) — medicamento preventivo para pessoas em situação de risco.

Hoje, 40 unidades no Estado distribuem a PrEP: 24 em Campo Grande e 16 em cidades do interior. A expectativa é de que outros cinco municípios recebam pontos de distribuição até o fim do ano. Mesmo assim, ainda há áreas sem cobertura. Quando isso ocorre, prefeituras têm garantido o deslocamento das pessoas até cidades vizinhas. “Trabalhamos com outras perspectivas, como a PrEP, a PEP (Profilaxia Pós-Exposição) e o preservativo, mas precisamos que as pessoas se testem”, reforça Larissa.

Cabotegravir e os próximos passos do SUS

O avanço da ciência também aponta para soluções mais acessíveis no futuro próximo. Está em fase de estudos para ser incorporado ao SUS o cabotegravir, medicamento injetável administrado a cada dois meses, indicado inicialmente para grupos vulneráveis, como homens que fazem sexo com homens. “Vai facilitar para quem não consegue retirar o medicamento devido às barreiras de acesso, seja distância, seja preconceito”, explica a enfermeira da SES.

Trata-se de um modelo que já vem sendo testado em países como os Estados Unidos e o Reino Unido, com bons resultados. Segundo estudo publicado no New England Journal of Medicine (2022), o cabotegravir reduziu em 66% o risco de infecção por HIV em comparação com a PrEP oral tradicional. A medida pode representar um divisor de águas na política de prevenção brasileira, historicamente reconhecida internacionalmente, mas ainda desigual em sua distribuição territorial.

HIV e envelhecimento: tabu em queda

Embora jovens e adultos concentrem a maior parte dos casos, a SES também tem observado crescimento nos diagnósticos entre a população idosa. Segundo Larissa, isso não se deve a infecções antigas, mas a novos contágios. “O HIV é uma doença que evolui rápido. A partir da infecção, o organismo declina muito rápido”, explica. Sintomas como perda de peso, fraqueza e febre indicam a necessidade de atenção. A recomendação da secretaria é que o tratamento seja iniciado logo após o diagnóstico positivo, em qualquer idade.

O aumento da testagem entre os idosos está relacionado à maior conscientização sobre saúde sexual na terceira idade — uma realidade muitas vezes ignorada pelo poder público e pelos próprios serviços de saúde. O tema ganha relevância à medida que cresce a expectativa de vida da população brasileira, que segundo o IBGE chegou a 75,5 anos em 2023.

Avanço com responsabilidade

A realidade atual de Mato Grosso do Sul traduz os dilemas enfrentados por diversos estados brasileiros: como ampliar o acesso aos recursos preventivos e garantir o diagnóstico precoce em uma população cada vez mais heterogênea. A estratégia adotada pela SES — de descentralizar a distribuição da PrEP, investir em campanhas de testagem e considerar as dinâmicas econômicas e sociais do território — reflete um caminho possível e replicável.

Com a Aids fora do campo da sentença, mas ainda presente como um desafio coletivo, o papel do Estado segue sendo o de antecipar-se aos números. Como afirmou o médico e pesquisador Veriano Terto Jr., da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA), “o HIV não é mais uma emergência, mas é uma urgência permanente”. A fala, publicada no boletim da ABIA em 2022, segue atual. Afinal, para que os dados reflitam uma realidade de cuidado e não de omissão, é preciso garantir que o diagnóstico venha antes da doença.

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