21/02/2024 - Edição 525

Mato Grosso do Sul

A verdade vai prevalecer sobre a mentira, afirma Reinaldo Azambuja

Publicado em 23/05/2017 12:00 -

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O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) disse ontem, em coletiva à imprensa, que a “verdade vai prevalecer sobre as mentiras” e que o Governo do Estado e ele estão prontos a colaborar com a Justiça para provar que as políticas de incentivos fiscais realizadas no Mato Grosso do Sul são corretas e geraram empregos e divisas ao Estado.

Muito emocionado – o governador chegou a chorar durante a coletiva ao falar da tradição de sua família no agronegócio e relembra sua trajetória política – Azambuja, ao lado da esposa, Fátima Azambuja, da vice-governadora Rose Modesto (PSDB) e de todo o primeiro escalão do Governo, assegurou que vai provar sua inocência diante das denúncias feitas pelos delatores da JBS à Operação Lava Jato.

“Tudo que eu tenho foi constituído pela minha família, meu avô, meu pai e pela família da minha esposa. Meu patrimônio é resultado do trabalho de pessoas honestas, não foi tirando nada de ninguém, vou provar até os últimos dias para provar isso”, afirmou.

Segundo Azambuja, a delação dos irmãos Batista, donos da JBS, pode ter tido como ponto de partida o desejo de vingança já que o Governo do Estado reduziu incentivos fiscais para a empresa, aumentando o recolhimento de ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação Serviços). “Pode ter sido retaliação porque nós não renovamos muitos termos de acordo, não sei o que foi. Acho que foi porque eles tinham que entregar alguém”, afirmou.

O governador também disse que, como pessoa física, tem relação comercial com a JBS e que todas as vendas de gado feitas por ele ao grupo são comprovadas por meio das notas fiscais e as GTAs (Guias de Trânsito Animal). Toda a documentação será mostrada à Justiça, assim como farão os outros pecuaristas, alguns deles que têm ou já tiveram cargos no governo, que supostamente emitiram notas para “lavar” o dinheiro da propina que a empresa diz ser destinada a Reinaldo.

Pecuarista em Mato Grosso do Sul, o chefe do Executivo falou do seu patrimônio, lembrando que em 2014 – quando declarou à Justiça Eleitoral ter R$ 38,7 milhões em bens –, foi considerado o candidato ao governo mais rico do Brasil. Emocionado, disse que tudo o que tem foi construído com trabalho.

“O lado que aparece hoje é só o lado do delator, parece que o lado do delator é a verdade. Eu tenho 20 anos de vida pública, vou até as últimas consequências para provar minha inocência. Todo cidadão tem direito à defesa, todo brasileiro e brasileira tem esse direito e o governador também”, apelou.

Denúncia

Consta na delação, homologada na quinta-feira passada que Reinaldo teria recebido R$ 10 milhões em espécie, de acordo com um dos delatores, e outros R$ 35 milhões por meio de pagamentos feitos por meio das notas fiscais que seriam falsas emitidas por pessoas físicas e jurídicas.

A Buriti Comércio de Carnes seria a empresa participante do esquema, para a qual foram pagos R$ 12.903.691,03 por meio de notas frias expedidas entre maio e julho de 2015.

O restante dos “pagamentos”, boa parte deles feitos em 2016, seriam referentes a vendas de gado, operações que conforme a delação, nunca aconteceram.

A JBS anexou, por exemplo, notas emitidas pelo atual secretário de Estado de Fazenda, Márcio Monteiro (PSDB), no valor de R$ 333 mil, pelo deputado estadual Zé Teixeira (R$ 1,6 milhão), pelo ex-prefeito de Dois Irmãos do Buriti e ex-deputado estadual Osvane Ramos (R$ 583 mil) e ex-prefeito de Porto Murtinho Nelson Cintra (R$ 296 mil).

Após as denúncias, dois pedidos de impeachment contra o governador foram protocolados na Assembleia Legislativa. Sobre isso, o governador disse que é o direito de qualquer cidadão tomar tal atitude e que quando ele for chamado, vai dar todas as explicações. “Não tenho nada a esconder”, garantiu.

Veja a coletiva completa


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