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Legislativo

Tendo MS como epicentro, Rota Bioceânica é modelo para outros três corredores

Alems instituiu Frente Parlamentar para acompanhar o projeto

Publicado em 22/09/2023 2:57 - Semana On

Divulgação Alems

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A Rota Bioceânica, que tem Mato Grosso do Sul como epicentro, servirá de modelo para outros três corredores de integração com países sul-americanos, que estão sendo planejados pelo Governo Federal. A informação foi dada na tarde de quinta-feira (21) pela ministra do Planejamento do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, durante instalação da Frente Parlamentar para o Acompanhamento da Implantação da Rota Bioceânica. O evento, realizado no plenário da Assembleia Legislativa, foi proposto pelo deputado Zeca do PT, coordenador da Frente Parlamentar, e reuniu três ex-governadores do Estado, o atual gestor, Eduardo Riedel, o ex-presidente do Brasil, Michel Temer, o ex-presidente do Paraguai, Mario Abdo Benitez, entre outras autoridades.

“Está sob o nosso guarda-chuva o estudo de outras rotas bioceânicas. E essa Rota é o exemplo que estamos levando para outros estados, como Rondônia, visando a rota via Peru; Pará, Amazônia e Roraima, visando a rota com a Guiana Francesa; e Rio Grande do Sul, visando a rota com os nossos irmãos argentinos”, informou Simone Tebet. “As rotas se retroalimentam. Elas não se excluem nem competem entre si. Quanto mais rotas bioceânicas tivermos, maiores serão os olhares do mundo para nós, mais investimentos virão”, acrescentou.

O evento realizado na ALEMS teve caráter histórico pela instalação da Frente do Parlamento sul-mato-grossense, que irá acompanhar os impactos decorrentes da implantação da Rota Bioceânica, projeto que integra quatro países (Brasil, Paraguai, Argentina e Chile) e que encurta o caminho para o mercado asiático. A solenidade também foi histórica por reunir três ex-governadores de Mato Grosso do Sul – Zeca do PT, André Puccinelli e Reinaldo Azambuja –  e dois ex-presidentes, sendo um do Brasil, Michel Temer, e o outro do Paraguai, Mario Abdo Benitez.

Referência a outros projetos

Já em estágio adiantado, a Rota Bioceânica é referência para outros três projetos semelhantes, conforme informou a ministra Simone Tebet. Ela explicou o porquê. “Primeiro, na comprovação de que é possível integrar o Brasil, olhando não só pelo Atlântico, que é muito mais distante para nós chegarmos nos países consumidores dos nossos produtos. Segundo, porque essa é uma rota de excelência, pois foi planejada de forma integrada. Todos os envolvidos – Chile, Argentina, Paraguai e Mato Grosso do Sul, no caso, o Brasil – sentaram-se à mesa, dividiram tarefas”, afirmou.

Investimento de 300 milhões de reais

De acordo com a ministra, o Governo Federal vai iniciar, no próximo mês, o processo de licitação, com investimento de 300 milhões de reais, para construção da parte brasileira da rodovia do Corredor. “Em outubro, vamos iniciar a licitação de mais de 300 milhões de reais para construção da rodovia pelo lado do Brasil, aqui em Mato Grosso do Sul. Iniciaremos no ano que vem a alça que faltava para transformar esse sonho em realidade”, garantiu.

Frente Parlamentar terá papel fundamental

Pela grandiosidade do projeto da Rota Bioceânica, a Frente Parlamentar instalada na tarde de quinta-feira é de fundamental importância, como frisou o deputado Zeca do PT. “A Rota é importantíssima para competitividade de Mato Grosso do Sul, do Brasil, do Paraguai, e toda a nossa região. É a integração como mecanismo de desenvolvimento econômico. Mas é também um caminho para superação da pobreza, do atraso dessa região”, considerou o parlamentar. Ele acrescentou que a Frente também terá importante papel no acompanhamento e fiscalização de possíveis impactos ambientais, de exploração no trabalho, da situação de crianças e mulheres. “Para isso, a Frente vai trazer para o debate universidades e outras entidades e buscar ações articuladas com o Governo Federal”, acrescentou Zeca do PT.

O Ato de Instituição da Frente Parlamentar para Acompanhamento da Rota Bioceânica foi assinado, primeiramente, pelos deputados Gerson Claro (PP), presidente da ALEMS, e Zeca do PT. Na sequência, foram colhidas assinaturas dos deputados que compõem o grupo de trabalho.

Instituída pelo Ato 04/2023 da Mesa Diretora, a Frente Parlamentar tem a participação, além de Zeca do PT, dos deputados Antonio Vaz (Republicanos), Coronel David (PL), Gerson Claro (PP), Jamilson Name (PSDB), João Henrique (PL), João César Mattogrosso (PSDB), Junior Mochi (MDB), Lia Nogueira (PSDB), Lidio Lopes (Patriota), Londres Machado (PP) , Lucas de Lima (PDT), Mara Caseiro (PSDB), Marcio Fernandes (MDB), Paulo Corrêa (PSDB), Pedro Kemp (PT), Pedrossian Neto (PSD), Professor Rinaldo Modesto (Podemos), Rafael Tavares (PRTB), Renato Câmara (MDB) e Roberto Hashioka (União).

Homenagens

Participaram da reunião o ex-presidente do Brasil, Michel Temer, o ex-presidente do Paraguai, Mario Abdo Benitez, o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, o ex-ministro chefe da Secretaria de Governo da Presidência do Brasil, Carlos Eduardo Marun, o ministro de Carreira Diplomática de Relações Exteriores, João Carlos Parkinson de Castro, além de diversos deputados estaduais e secretários de Estados, entre outras autoridades.

O ex-presidente Michel Temer foi homenageado com o Título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, por meio de Resolução de autoria do deputado Marcio Fernandes (MDB). Temer recebeu, ainda, o Diploma de Ilustre Visitante. Essa segunda honraria também foi concedida a Mario Benitez. A ALEMS também concedeu Moções de Congratulações “em reconhecimento pela ousadia de decisão de articular e viabilizar a implantação do Corredor Rodoviário para o Oceano Pacífico” a Carlos Marun, a João Carlos Parkinson e, in memorian, a Heitor Miranda dos Santos, prefeito de Porto Murtinho em duas oportunidades, e a Osório Miranda dos Santos, que foi vereador do mesmo município por cinco mandatos.

O evento foi transmitido ao vivo pela TV ALEMSRádio ALEMS e canais oficiais da Casa de Leis no YouTube e no Facebook. Confira a solenidade na íntegra:

Corredor Bioceânico deve abrir mercado de 180 milhões de consumidores

A Rota Bioceânica deverá gerar mercado de 180 milhões de consumidores por meio de novos fluxos de comércio. O número foi informado pelo ministro de Carreira Diplomática de Relações Exteriores, João Carlos Parkinson de Castro, que palestrou durante o evento de instalação da Frente Parlamentar para o Acompanhamento da Implantação da Rota Bioceânica.

“O Corredor abrirá um mercado de 180 milhões de consumidores, ao integrar módulos logísticos já existentes e permitir uma movimentação de cargas mais eficiente”, afirmou o ministro Parkinson. “O corredor não se limita a transporte. É uma plataforma de desenvolvimento econômico e social local. É algo muito amplo e profundo”, completou. Entre outros alcances comerciais da Rota Bioceânica, o ministro mencionou exportações de carne para o Peru, Equador e Colômbia, a menor custo e tempo, e movimentação de cargas pelo Chile.

O projeto da Rota está avançado e uma das mais importantes obras, a Ponte Carmelo Peralta-Porto Murtinho, estará concluída no primeiro trimestre de 2025, segundo informou o ministro Parkinson. Além disso, o último trecho da Transchaco, de 220 quilômetros, foi licitado e as obras começam no segundo semestre de 2023. Do lado do Brasil, o processo licitatório para construção de rodovia em Mato Grosso do Sul, com investimento superior a R$ 300 milhões, inicia-se no próximo mês, conforme disse a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, que também participou do evento.

Em relação aos ganhos econômicos com a exportação via Oceânico Pacífico pelos portos chilenos, Parkinson afirmou que a redução estimada no tempo de viagem é de 23% ou de 12 dias se comparado com o escoamento pelo Porto de Santos. “Em Santos, os navios demoram em média quatro vezes mais tempo em fundeio, atracação e movimento da carga do que em Antofagasta [no Chile]”, detalhou.

O ministro teceu outras comparações que dimensionam as vantagens da Rota Bioceânica. “Quando a mercadoria chilena entra no Brasil por via terrestre, por meio de São Borja ou Uruguaiana (RS), percorre 4.516 quilômetros para chegar a Campo Grande. Com a Rota Bioceânica, a mesma origem e destino, será percorrida em 2.396 quilômetros”, comparou. São 2.120 quilômetros a menos.

Os caminhos pela Argentina e pelo Paraguai também serão mais curtos e econômicos. “Mercadorias argentinas procedentes de Salta para Campo Grande entram pelo sul do Brasil, percorrendo 4.049 quilômetros. A Rota Bioceânica permitirá que a mesma origem-destino seja percorrida  diretamente em 1.966 quilômetros”, citou o ministro. “Os produtos paraguaios exportados por via terrestre ingressam no Brasil por Foz do Iguaçu. A distância percorrida é de 1.512 quilômetros. No entanto, ao usar o Corredor, fica reduzida a 730 quilômetro”, acrescentou.


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