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Legislativo

Reajuste de 37% nos salários de vereadores gera debate sobre prioridades públicas

Com remuneração de R$ 26 mil, salário de parlamentares supera 17 salários mínimos

Publicado em 03/01/2025 10:27 - Semana On

Divulgação Câmara CG

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Os 29 vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande iniciaram a nova legislatura, em janeiro de 2025, com um aumento salarial significativo. O reajuste de 37,33%, aprovado no final de 2023, elevou os salários de R$ 18,9 mil para R$ 26.080,98, valor correspondente a 75% do vencimento dos deputados estaduais, atualmente fixado em R$ 33.006,39.

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Esse aumento ocorre em um contexto em que o salário mínimo nacional foi atualizado para R$ 1.518, o que significa que os novos vencimentos dos vereadores equivalem a mais de 17 salários mínimos. A medida reacendeu debates sobre a adequação dos reajustes salariais para agentes públicos em uma cidade com desafios estruturais e sociais.

Critérios legais e controvérsia

A legislação que regula os vencimentos dos vereadores em relação aos deputados estaduais baseia-se no número de habitantes do município. No caso de Campo Grande, os parlamentares podem receber até 75% do salário de um deputado estadual, o teto permitido. Embora a medida esteja de acordo com a lei, críticos questionam sua conveniência diante de demandas sociais urgentes.

O reajuste foi defendido pelos próprios vereadores como uma forma de garantir “isonomia” em relação a outros municípios de porte semelhante. No entanto, a decisão gerou insatisfação em parte da população, que vê os altos salários contrastando com a realidade de muitos trabalhadores.

Percepção pública e impacto socioeconômico

Os reajustes salariais de parlamentares frequentemente geram discussões sobre prioridades orçamentárias e a representatividade dos legisladores. Campo Grande enfrenta desafios em áreas como saúde, educação e mobilidade urbana, e muitos eleitores questionam se o aumento é compatível com as condições socioeconômicas da cidade.

Para além dos valores, a questão reflete um dilema ético. Como argumenta o sociólogo Jessé Souza em A Elite do Atraso, “os privilégios históricos que sustentam uma elite política e econômica têm raízes profundas e reforçam desigualdades estruturais”. Este debate transcende Campo Grande, tocando em questões de justiça social e responsabilidade pública.

Cenário político

Os vereadores recém-eleitos, representando 15 partidos, compõem um panorama político diverso que reflete diferentes segmentos da sociedade campo-grandense. Apesar das diferenças partidárias, a aprovação do aumento salarial foi unânime, evidenciando uma convergência rara, mas também levantando suspeitas sobre o distanciamento entre representantes e representados.

Caminhos Possíveis

Oreajuste salarial pode servir como um momento de reflexão sobre o papel das Câmaras Municipais na construção de políticas públicas alinhadas às necessidades da população. Para a professora e filósofa Marilena Chaui, “a democracia é construída na tensão constante entre a reivindicação popular e a ação institucional”.

A legitimidade do aumento não está apenas na legalidade, mas em sua capacidade de dialogar com os anseios dos cidadãos. É imperativo que os vereadores, agora com remuneração ampliada, retribuam com ações concretas que atendam às demandas sociais, justificando os recursos que recebem.

Em um Brasil marcado por desigualdades históricas, decisões como essa em Campo Grande reverberam, provocando discussões cruciais sobre a alocação de recursos públicos e a função da política como instrumento de transformação social.

Quem são os vereadores eleitos?

Ana Portela (PL);

André Salineiro Agente Federal (PL);

Beto Avelar (PP);

Carlão Comunitário Mesmo (PSB);

Clodoilson Pires (PODE);

Delei Pinheiro (PP);

Dr Jamal (MDB);

Dr Lívio (UNIÃO);

Dr Victor Rocha (PSDB);

Fabio Rocha (UNIÃO);

Flavio Cabo Almi (PSDB);

Herculano Borges (REPUBLICANOS);

Jean Ferreira (PT);

Junior Coringa (MDB);

Landmark (PT);

Leinha (AVANTE);

Luiza Ribeiro (PT);

Maicon Nogueira (PP);

Marquinhos Trad (PDT);

Neto Santos (REPUBLICANOS);

Otávio Trad (PSD);

Papy (PSDB);

Professor Juari (PSDB);

Professor Riverton (PP);

Rafael Tavares (PL);

Ronilço Guerreiro (PODE);

Silvio Pitu (PSDB);

Veterinário Francisco (UNIÃO);

Wilson Lands (AVANTE).

Por unanimidade, vereador Papy é eleito presidente da Câmara Municipal de Campo Grande


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