21/02/2024 - Edição 525

Legislativo

Parada da Cidadania LGBT passa a integrar calendário oficial de Campo Grande

Publicado em 11/08/2017 12:00 -

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O fortalecimento dos direitos humanos e da cidadania no município de Campo Grande. Este é o propósito do projeto de lei apresentado e aprovado na última quinta-feira (10), na Câmara Municipal de Campo Grande, que institui no calendário oficial do município a “Parada da Cidadania LGBT e Show da Diversidade”, a ser comemorada anualmente no terceiro sábado do mês de setembro.

O projeto, de autoria dos vereadores Eduardo Romero (Rede) e Valdir Gomes (PP), encontrou resistência nas bancadas evangélica e católica da Casa, mas acabou passando com o voto de minerva do vice-presidente da Câmara Municipal, Cazuza (PP).

A Parada da Cidadania LGBT já é realizada desde 2002 na cidade e com a lei vai ganhar caráter oficial no calendário do município sem trazer prejuízos à programação já existente ou problemas ao orçamento público, uma vez que o executivo continua podendo auxiliar ou não financeiramente a realização do evento.

Romero afirmou que a Lei não deve ser encarada sob o viés religioso. “Acima de tudo é preciso perceber que toda cidade é constituída por maiorias e minorias e que todos os cidadãos precisam ser respeitados em suas escolhas”.

A maioria dos 12 legisladores que votaram contra se apoiou na justificativa de que haverá gasto de dinheiro público. Na verdade, recursos do Executivo só serão usados se necessário, tendo em vista que o projeto prevê busca pelas parcerias com a iniciativa privada, entidades educativas ou outras entidades da sociedade civil.

Eduardo Romero rebateu estes argumentos. “Isso é desconstruir o real sentido da lei. Por erro, interpretação religiosa, preconceito ou desconhecimento, algumas pessoas se mostraram inicialmente contrárias, mas o objetivo é o fortalecimento das garantias de direitos humanos e da cidadania”, assegurou.

O vereador Valdir Gomes disse, por sua vez, que o projeto não tem como objetivo questionar comportamento ou opção de cada indivíduo, mas a inserção das minorias na luta por ações socais que visam combater e/ou discriminar as violações de direitos e violências acometidas em âmbito local, considerando os vários episódios de violências e crimes LGBTfóbicos.

“A Lei não trata apenas de erguer bandeira, fazer um desfile pelas ruas da cidade ou concentração em uma praça. É também continuar garantindo o respeito, direito e discussão de políticas públicas. Quando fui eleito vereador por Campo Grande não escolhi segmento, embora cada parlamentar possa ter seu reduto eleitora bem definido. Quando coloquei meu nome para escolha na urna foi para mediar demandas da população. Mas respeito quem prefere segmentar como agente legislativo e também o cidadão que não concorda, afinal temos livre arbítrio para isto”, frisou Eduardo Romero.


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