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Legislativo
Militar de MS relata primeiros movimentos após aplicação da proteína ainda em fase de testes clínicos
Publicado em 20/02/2026 7:40 - Semana On
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Uma pesquisa conduzida pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ganhou reconhecimento público nesta semana na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Durante sessão ordinária, o deputado estadual Pedro Kemp (PT) apresentou Moção de Congratulação à cientista pelo desenvolvimento da polilaminina — uma proteína experimental voltada ao tratamento de lesões na medula espinhal.
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Tatiana é chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ e lidera, há mais de duas décadas, estudos sobre a substância. A polilaminina é uma versão sintetizada em laboratório da laminina, proteína fundamental no desenvolvimento embrionário e no processo de conexão entre neurônios. Em casos de lesão medular, quando fibras nervosas são rompidas e os impulsos elétricos deixam de alcançar partes do corpo, a proposta da terapia é estimular o crescimento dessas fibras e favorecer a reconexão neural.
Ao justificar a homenagem, Kemp destacou o “relevante avanço científico” da pesquisadora e classificou o trabalho como motivo de orgulho nacional. “É ciência produzida no Brasil, com qualidade e relevância”, afirmou o parlamentar, ao mencionar o potencial impacto do tratamento para pessoas paraplégicas e tetraplégicas.
Embora ainda em fase experimental, a proteína já começou a ser aplicada em pacientes sob protocolos específicos. Em Mato Grosso do Sul, o militar do Exército Brasileiro Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, tornou-se o paciente mais jovem a receber a polilaminina no país e o primeiro no estado. Ele ficou tetraplégico após um acidente com arma de fogo ocorrido em outubro do ano passado.
A aplicação foi realizada no Hospital Militar de Campo Grande. Doze dias após o procedimento, Luiz Otávio relatou à imprensa ter recuperado um movimento sutil na ponta de um dos dedos da mão. “É algo mínimo, é um movimento pequeno, só que é algo que eu não via antes. […] Eu não conseguia mexer a ponta do dedo indicador igual mexia dos outros dedos, e agora eu consigo”, afirmou em entrevista ao G1.
Para ter acesso ao medicamento, que ainda passa por estudos clínicos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o jovem precisou recorrer à Justiça. O tratamento integra protocolos experimentais, e sua eficácia e segurança seguem sob avaliação regulatória.
Além do movimento no dedo, o militar também relatou sensações nos nervos das pernas, regiões que haviam perdido sensibilidade após o acidente. Ele deverá continuar o processo de reabilitação com fisioterapia domiciliar e acompanhamento de equipe multidisciplinar, etapa considerada decisiva para potencializar possíveis ganhos motores.
O caso de Luiz Otávio ilustra tanto as expectativas em torno da polilaminina quanto os desafios inerentes a terapias ainda em fase de validação científica. Se confirmados os resultados em estudos clínicos, o avanço poderá representar uma mudança significativa no tratamento de lesões medulares — área historicamente marcada por limitações terapêuticas e impactos profundos na qualidade de vida dos pacientes.
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