21/04/2024 - Edição 540

Legislativo

Gerson diz que reativação da Malha Oeste é estratégica para MS

Ele lembra que a construção de uma nova ferrovia é um projeto complexo e mais demorado, porque envolve desapropriações, licenciamento ambiental

Publicado em 27/04/2023 11:04 - Semana On

Divulgação ALEMS

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O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gerson Claro, definiu como “estratégica para consolidar o processo de industrialização de Mato Grosso Sul”, a reativação da Malha Oeste que voltaria a ser um modal de transporte relevante para o escoamento da produção agrícola, mineral e da celulose produzida no Estado.

“A ferrovia, que liga Corumbá a Mairinque, em São Paulo, já tem o traçado definido, com obras de artes (pontes e viadutos), contornos ferroviários prontos (Campo Grande e Três Lagoas), o que mostra a viabilidade da sua reativação num espaço de tempo mais curto “, destacou o deputado. Ele lembra que a construção de uma nova ferrovia é um projeto complexo e mais demorado, porque envolve desapropriações, licenciamento ambiental.

Gerson participou nesta quarta-feira da abertura da primeira audiência pública promovida pela ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre) para colher subsídios e apresentar detalhes do edital de licitação para escolha da nova concessionária que vai operar o transporte de cargas. A expectativa dos técnicos da ANTT é que o novo contrato de concessão seja assinado no segundo semestre e as obras de revitalizacão da malha (troca de trilhos, com adoção da bitola larga) sejam iniciadas em 18 meses. Esta primeira audiência foi realizada no auditório do Grand Park Hotel. Uma segunda audiência pública está programada para o dia 3 de maio em Brasília, na sede da ANTT.

A Malha Oeste está praticamente desativada, com exceção de dois trechos. Em Três Lagoas, pela ferrovia sai a celulose exportada pelo Porto de Santos. O minério de ferro de Corumbá anda poucos quilômetros sobre trilhos até chegar à Bolívia.

Parcialmente desativada desde 2015, a linha férrea será relicitada após a concessão ser devolvida pela Rumo ALL há três anos. Os estudos de viabilidade econômica mostram que o trecho a ser licitado, 1.623 km, tem potencial de transportar 40 milhões de toneladas, principalmente de minérios e celulose. Para atingir este potencial, a futura concessionária deverá investir R$ 18,1 bilhões em 60 anos. A maior parte do montante, de R$ 16,4 bilhões, será destinado aos primeiros sete anos para a troca de dormentes e trilhos, compra de locomotivas, reforma de pátios de manobras, entre outros.

Apesar do frete rodoviário ser 362% mais caro em relação ao ferroviário para o transporte de fertilizantes, por exemplo, o caminhão é hoje a única opção em MS. Estudo da ANTT mostra que o custo do transporte do fertilizante por carretas é de R$ 14,84 por tonelada, enquanto por trens pode sair por R$ 3,21. O Estado tem potencial de 35 milhões a 40 milhões de toneladas de serem transportados por ano pela ferrovia. A maior parte será composta por celulose (R$ 12,7 milhões), minério de ferro (7 milhões de toneladas), grãos (7,3 milhões), açúcar (2,4 milhões de toneladas) e combustíveis.

O transporte de combustíveis pelos vagões está suspenso há oito anos, desde 2015. Conforme estimativa da ANTT, os caminhões trazem para o Estado 30 milhões de metros cúbicos de gasolina e 56 milhões de metros cúbicos de óleo diesel.

A Malha Oeste é a nova denominação da Novoeste, concessionária entre Bauru e Corumbá. Primeira a ser privatizada no País, em 5 de março de 1996, a ferrovia passou por investidores americanos (Noel Group) e brasileiros (ALL). O fracasso custou caro ao Estado, que ficou sem um dos modais de transporte mais baratos para garantir o escoamento da produção.


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