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Legislativo

Gerson Claro defende mudança cultural e critica concentração de recursos

Presidente da ALEMS afirma que avanços na participação feminina dependem de transformação social além da lei

Publicado em 23/03/2026 10:25 - Semana On

Divulgação ALEMS

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Da docência ao comando da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, a trajetória do deputado Gerson Claro é apresentada por ele próprio como um processo gradual, mais marcado pela escuta e pela formação técnica do que por protagonismo midiático. No centro desse percurso, sustenta, está a educação como vetor estruturante da política.

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“Ela não transforma o mundo isoladamente, mas forma as pessoas que vão transformá-lo”, afirma, em entrevista ao site Campo Grande News, sintetizando uma visão que conecta origem pessoal e atuação pública. Nascido em Itaporã, em uma família de professores, Claro iniciou sua inserção na vida pública fora das urnas: foi docente, atuou em espaços religiosos, participou do movimento sindical e construiu carreira jurídica — experiência que, segundo ele, permitiu compreender a engrenagem estatal.

Formação política no interior e ascensão gradual

A entrada formal na política institucional ocorreu de forma progressiva, a partir de debates locais em Sidrolândia, município que ele descreve como “escola política”. Nesse ambiente, transitou entre diferentes segmentos sociais — do agronegócio a comunidades indígenas — consolidando articulações que, posteriormente, sustentariam sua candidatura.

A primeira disputa eleitoral terminou em derrota, mas o episódio é tratado como parte do aprendizado. “Na política, você não pode sair menor do que entrou”, afirma — máxima que, segundo ele, orientou sua trajetória até a eleição em 2018 e, mais tarde, à presidência da Assembleia.

Pressão sobre municípios e concentração de recursos

À frente do Legislativo estadual, Claro identifica no pacto federativo um dos principais pontos de tensão do sistema político brasileiro. Sua avaliação é de que há um descompasso estrutural entre responsabilidades e distribuição de recursos.

Segundo ele, os municípios concentram atribuições essenciais — especialmente em saúde e educação — mas recebem menos de 15% da arrecadação. O efeito direto, argumenta, é a ampliação da dependência de prefeitos em relação a emendas parlamentares e negociações políticas.

“A responsabilidade foi municipalizada, mas o dinheiro não”, resume.

O deputado também demonstra preocupação com os desdobramentos de reformas recentes, como a tributária, que, em sua leitura, tendem a reforçar a centralização fiscal e reduzir a autonomia local.

Senado no horizonte, mas sem definição

Embora tenha sinalizado interesse em disputar uma vaga no Senado Federal, Claro adota um discurso cauteloso sobre o tema. Reconhece a relevância institucional da Casa, especialmente na mediação entre poderes e em debates sobre o papel do Supremo Tribunal Federal, mas admite que o cenário político atual dificulta a viabilidade da candidatura.

Na prática, indica que a reeleição para o Legislativo estadual é o caminho mais provável no curto prazo. “Há etapas. Este é um momento de organização”, afirma.

Ano eleitoral e gestão legislativa

No comando da ALEMS em um ano eleitoral, o deputado busca equilibrar o ambiente de disputa política com a continuidade da agenda legislativa. Defende a legitimidade do contraditório, mas ressalta a necessidade de evitar paralisações que impactem a população.

Para ele, a condução da presidência exige neutralidade institucional e garantia para manifestações, inclusive de minorias, sem comprometer a tramitação de projetos.

Participação feminina e transformação cultural

Ao abordar a presença das mulheres na política, o parlamentar desloca o debate do campo exclusivamente normativo para uma dimensão cultural. Embora reconheça avanços, avalia que o ritmo ainda é insuficiente e que mudanças estruturais não se consolidam apenas por meio de legislação.

“Não vai se mudar só na força da lei. Vai se mudar com participação e com o interesse da sociedade”, afirma.

Como exemplo, recorre à própria experiência familiar. Pai de dois filhos, sustenta que a construção de valores ligados à igualdade começa no ambiente doméstico. “Se eu não colocar isso na cabeça deles, não vou mudar a sociedade antes de mudar em casa”, resume.

Política além do espetáculo

Ao longo da entrevista, Claro evita retórica enfática e privilegia uma abordagem técnica. Critica a superficialidade de parte dos debates públicos e defende maior qualificação do Legislativo.

A ideia central que atravessa sua fala é de que a política demanda acúmulo, experiência e compreensão da realidade — não improvisação. Uma visão que, em tom discreto, se contrapõe à lógica de espetáculo que, cada vez mais, disputa espaço no cenário institucional brasileiro.

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