22/02/2024 - Edição 525

Legislativo

Em solenidade de 60 anos da profissão, psicólogos celebram a inclusão e a diversidade

Pedro Kemp: “A psicologia não pode ser privilégio de poucas pessoas"

Publicado em 02/12/2022 11:08 - Semana On

Divulgação ALEMS

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A presença de uma mulher indígena e um homem trans na mesa de autoridades em sessão solene na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) representa uma transformação da psicologia, profissão que tem se tornado mais inclusiva e diversa. A observação foi feita e reforçada por participantes da solenidade, realizada na noite desta sexta-feira (25). Proposto pelo deputado Pedro Kemp (PT), que também é psicólogo, o evento celebrou os 60 anos de regulamentação da psicologia como profissão no Brasil. Na ocasião, 60 pessoas foram homenageadas.

“Tenho muita satisfação e alegria de receber a todos e a todas nesta Casa de Leis, nesta Casa da cidadania. É uma grande alegria poder celebrar a nossa profissão”, saudou o deputado Pedro Kemp em seu discurso de abertura. O parlamentar enfatizou que a ALEMS sempre foi palco de debates sobre a importância da psicologia e sobre  políticas de saúde mental para todas as pessoas. “A psicologia é tão importante que não pode ser privilégio de poucos, mas precisa estar em todos os lares”, disse o parlamentar.

O deputado destacou que a psicologia, embora precise avançar mais, já traz em sua história a ampliação do cuidado de todas as pessoas independentemente das diferenças. “A psicologia tem importante papel na luta pelo cuidado de crianças e adolescentes, idosos, negros, indígenas, população LGBTQIA+”, comentou Pedro Kemp. A psicologia também tem avançado como área profissional inclusiva e diversa. “Aqui no Estado, temos psicólogos trans, homens, mulheres, negros, indígenas, pessoas com deficiência. Estamos avançando na construção de uma sociedade inclusiva”, considerou.

Além de Pedro Kemp, compuseram a mesa de autoridades os psicólogos Walkes Jacques Vargas, presidente do Conselho Regional de Psicologia da 14ª Região (CRP 14/MS), Marilene Kovalski, ex-presidente do CRP 14/MS e representante do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Glace do Carmo Freitas Siqueira, representante da Federação Nacional de Psicólogos, Oriene de Moura David, vice-presidente do Sindicato dos Psicólogos de Mato Grosso do Sul, Vanessa Silva de Souza, conselheira do CRP 14/MS e representante da Articulação Brasileira de Psicólogos Indígenas, João Fernando dos Santos Vilela, homem trans, coordenador da Comissão de Gênero e Diversidade Sexual do CRP 14/MS, e, de forma retoma, Ana Sandra Fernandes Arcoverde Nóbrega, presidente do CFP.

“Mande a tristeza embora”

Antes das falas dos integrantes da mesa e das entregas dos diplomas aos homenageados, houve um momento cultural, comandando pela cantora e compositora Marta Cel.

Acompanhada pelo músico Renan Silva, a cantora, de voz forte e suave, lembrou a todos que “a felicidade está no caminho” e que é preciso abraçar “a vida no peito”. Esses são versos da canção “O tempo não espera ninguém”, composta por Teófilo e Michel Teló.

Além dessa apresentação, Marta também “mandou a tristeza embora” com a música “Tá escrito”, composição de Xande de Pilares e Gilson Bernini.

Psicologia com os pés na realidade

Durante a solenidade, diversas pessoas fizeram uso da palavra, entre as quais o presidente da CRP 14/MS, Walkes Vargas. Ele reforçou a transformação da psicologia. “Transformamos a psicologia, que estava, única e exclusivamente, a serviço das elites, em uma psicologia que coloca os pés na realidade e se volta para toda população brasileira”, afirmou. “Desenvolvemos o nosso saber e fazer clínicos e rompemos as quatro paredes dos consultórios, chegando aos territórios onde acontecem os sofrimentos étnicos e políticos da população negra, comunidades tradicionais, indígenas, mulheres, idosos, LGBTQIA+ e pessoas com deficiência”, discursou Vargas.

As considerações de Vargas foram reforçadas por Ana Sandra Fernandes Arcoverde Nóbrega, presidente do CFP, que participou do evento remotamente. “A psicologia tem assumido o compromisso com a eliminação de qualquer forma de negligência, discriminação, de exploração e de violência”, afirmou Ana Sandra. “É muito importante neste momento dizer sobre uma psicologia que tem, ao longo dos anos, estabelecido uma série de marcos normativos que tiveram grande impacto social no fortalecimento da democracia e dos direitos humanos”, destacou a presidente do CFP.

“A psicologia também é território indígena”

Um dos momentos mais fortes da solenidade foi o do discurso de Vanessa Silva de Souza, que representou a Articulação Brasileira de Psicólogos Indígenas. “Cleijomar Vasques, mais um jovem guarani-kaiowá e LGBTQIA+, foi assassinato”, iniciou Vanessa, em referência a crime de ódio e homofobia ocorrido no dia 12 deste mês na comunidade indígena Limão Verde, em Amambai. Ela também mencionou outros crimes contra a população indígena. “Faz 35 anos que Marçal de Souza foi assassinato, 25 anos que Galdino foi queimado vivo em Brasília”, citou Vanessa.

A psicóloga lembrou, ainda, que Mato Grosso do Sul é o estado que mais mata indígenas e que esse assunto precisa ser falado. “A psicologia precisa falar sobre isso; mais que falar, precisa ouvir. E precisa ouvir a nós, povos indígenas. Precisamos ser ouvidos, porque estamos aqui, sempre estivemos aqui. A psicologia também é território indígena”, finalizou.

Emoção no agradecimento

Em nome dos homenageados, discursou a psicóloga Celi Corrêa Neres, vice-reitora da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems). Celi foi delegada eleita para gerir o recém-criado CRP14/MS em 1996, além de conselheira em duas ocasiões.

Emocionada, Celi Corrêa discorreu sobre a história da profissão do psicólogo e reforçou o papel da luta por uma profissão inclusiva. “Conseguimos vencer a perspectiva de uma psicologia fundamentalista. Por isso estamos aqui com essa composição de mesa, que agrega a diversidade e toda singularidade humana, que foi, por muito tempo, esquecida pela psicologia”, comentou. E terminou sua fala, citando Sigmund Freud: “Um dia, quando olhardes para trás, verás que os dias mais belos foram aqueles nos quais lutastes”.

Regulamentação

A profissão de psicólogo foi regulamentada no Brasil pela Lei Federal 4.119/1962, publicada no dia 27 de agosto daquele ano. Em Mato Grosso do Sul, há 5 mil profissionais com inscrição ativa, de acordo com o CRP 14/MS. A maior parte dos psicólogos, conforme o deputado Pedro Kemp, é formada por mulheres – elas representam 85% da categoria.

Além do público presente no plenário, a sessão pôde ser acompanhada pelos canais de comunicação da Casa de Leis.

Confira a relação dos homenageados:

Alexandra Ayach Anache (UFMS – Desenvolvimento Humano e Educação Especial)

Alexandra Graboski (in memoriam)

Ana Maria de Vasconcelos Silva (UFMS Pantanal – Educação)

Ana Sandra Fernandes Arcoverde Nóbrega (CFP)

André Masao Peres Tokuda (AEMS)

Andreia Carla Deuner Brunetto (Psicanálise)

Antônio José Angelo Motti (Escola de Governo)

Beatriz Rosália Gomes Xavier Flandoli (UFMS Campus Pantanal)

Carla Pinheiro França (CRP14/MS)

Carlos Afonso Marcondes Medeiros (CRP14/MS)

Carolina Pina Meza (CAPS – Bonito)

Cassia Teresinha Passini da Silva (Universidade Central do Paraguai (UCP)

Catarina Pereira da Rosa (UFMS – campus Pantanal)

Catia Paranhos Martins (UFGD – Psicologia Social)

Celi Correa Neres (UEMS – Psicologia Escolar e Educacional)

Conrado Neves Sathler (UFGD – Psicologia Social)

Denise Fátima Barbosa Souza e Silva (CRP14/MS)

Dionatans Quinhones Godoy (UFGD)

Elivane Aparecida de Oliveira Sandim (CRP14/MS)

Eveli Freire de Vasconcelos (UCDB – Psicologia Organizacional e do Trabalho)

Fernanda Lou Sans Magano (FENAPSI)

Fernando Faleiros de Oliveira (Psicologia Organizacional e do Trabalho)

Getúlio Gideão Bauermeister   (in memoriam)

Glace do Carmo Freitas Siqueira (SINPSI MS)

Heloise Cunha Santana (Unidades Educacionais de Internação – Unei Mitai Ponta Porã; SAS/Sejusp)

Ignez Charbel Stephanini (Avaliação Piscológica e Perícia Criminal)

Inara Barbosa Leão (UFMS)

Irma Macário (CRP14/MS)

Jassonia Lima Vasconcelos Paccini (UFMS – campus Paranaíba)

João Vitor Guimarães

Juvenal Ávila de Oliveira (Sistema Prisional e Unei)

Leila Tannous Guimarães (Clínica)

Liliana Andolpho Magalhães Guimarães (UCDB)

Luciana Batista dos Santos (Avaliação Psicológica)

Lucy Nunes Ratier Martins (UCDB)

Marco Aurélio Portocarrero Naveira (CRP14/MS)

Maria de Lourdes Ferreira (UFMS Campus Pantanal)

Maria de Lourdes Irineu de Souza (CRP14/MS)

Maria José da Silva Rado (in memoriam)

Maria Solange Felix Pereira (in memoriam)

Marilene Kovalski (CRP14/MS)

Marina Maria Ribeiro (in memoriam)

Marta Vieira Vilela (UCDB – Teoria Cognitivo-Comportamental)

Milton de Souza Carvalho (Vinculado ao 6° BPM de Corumbá, Centro de Equoterapia de Corumbá)

Norma Celiane Cosmo (UCDB – Sistema Conselhos de Psicologia)

Paola Nogueira Lopes (Secretaria Estadual de Educação – Coordenadoria de Psicologia Educacional)

Pedro César Kemp Gonçalves (deputado estadual)

Reinier Johannes Antonius Rozestraten  (UCDB; in memoriam)

Renan da Cunha Soares Júnior (CRP14/MS / UCDB)

Roberto Tadeu da Silva Cambará (in memoriam)

Rômulo Said Monteiro (CRP14/MS – Psicodrama)

Sara Suzane Silva Costa (Servidora aposentada da Agepen)

Silvia Maria Bonassi (UFMS – campus Paranaíba)

Sonia Grubits (UCDB)

Sônia da Cunha Urt (UFMS)

Ticiana Araújo da Silva (Unigran Dourados – Psicanálise)

Vera Neide Araújo da Silva (Associação Nacional dos Psicólogos de Trânsito)

Wilson Ferreira de Melo (UFMS – campus Pantanal)

Veronica Aparecida Pereira (UFGD)

Xênia Rosemarie de Campos (Secretaria Municipal de Saúde de Dourados)


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