20/05/2024 - Edição 540

Entrevista

Nelsinho Trad – Candidato do PMDB ao Governo do Estado

Publicado em 11/08/2014 12:00 -

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Ex prefeito de Campo Grande (MS), onde exerceu uma administração com ampla aprovação popular, Nelson Trad Filho é o camndidato do PMDB ao Governo do Mato Grosso do Sul. Nelsinho propõe um governo que mantenha os acertos da administração André Puccinelli e avance em setores vitais da administraçãoi pública. Para isso, precisará superar problemas graves na área da saúde e na centralização  econômica do Estado com foco na capital.

 

Por Victor Barone

Como alavancar a economia de um Estado ainda tão dependente da dobradinha soja e boi?

Vamos implantar incentivos fiscais e tributários diferenciados para atrair empresas e indústrias, gerando mais emprego e aumentando a renda da população, além de investir na qualificação profissional, para que as pessoas não tenham que se deslocar até a capital para estudar e se aperfeiçoar profissionalmente. Também está entre nossas metas implantar as Zonas de Processamento de Exportações de Bataguassu, Corumbá e Ponta Porã para impulsionar a agregação de valor às matérias-primas produzidas atualmente no Estado, criar Câmaras de Transparência Tributária para promover a justiça fiscal e otimizar a atuação da  Seprotur, desmembrando-a em três secretarias: Secretaria de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Pesca, Secretaria de Indústria, Comércio, Serviços e Comércio Exterior e, por último, Secretaria de Turismo.

Que estratégias o senhor traçará para desenvolver o interior do Estado?

Mato Grosso do Sul está entre os 10 estados brasileiros com melhor desenvolvimento humano, que considera índices de longevidade (saúde), renda e educação e isso é uma excelente notícia, mostra que o Governo do Estado está no caminho certo. Mas podemos avançar mais. Vamos respeitar a vocação e as características de cada município, incentivando-os para que desenvolvam suas potencialidades. Também temos que divulgar mais o nosso Estado. Temos inúmeras riquezas naturais, como o Aquífero Guarani, a maior parte do Pantanal, Bonito, que é a capital mundial do ecoturismo, e tantas outras riquezas, somos privilegiados e por isso o investimento no turismo e na divulgação é fundamental para atrair investimentos para todo Mato Grosso do Sul.

Mato Grosso do Sul tem uma imensa fronteira seca e é corredor de passagem para drogas e contrabando. Que estratégias o senhor pretende aplicar para coibir esta situação?

Vamos fortalecer as ações dos Gabinetes de Gestão Integrada de Fronteira (GGI-F), estabelecendo planos e ações conjuntas com a participação de todas as instituições de segurança pública em todos os níveis, para promover o bloqueio e a desarticulação das atividades de financiamento, planejamento, distribuição e logística do crime organizado e dos crimes transnacionais. É uma de nossas propostas. Também vamos investir no aperfeiçoamento das atividades de investigação criminal qualificada e inteligência  policial, para desarticular os crimes antes que aconteçam e tornar a fiscalização mais eficiente.

Que tipo de polícia Mato Grosso do Sul terá com o senhor à frente do Governo do Estado?

Mato Grosso do Sul terá uma polícia qualificada, com bons salários, motivada para fazer o seu trabalho da melhor forma possível e proporcionar segurança para a população. Para isso, vamos estar sempre atentos para as demandas, realizando concursos públicos para contratar mais policiais, promovendo a autonomia administrativa e financeira dos policiais militares, investindo na aquisição de viaturas, equipamentos e em tecnologia.

Vamos levar para todo o MS as escolas de ensino integral que implantei em Campo Grande, profissionalizar todos os cursos de Ensino Médio da Rede Estadual com habilitações voltadas para o mercado de trabalho.

A questão da saúde é um nó em todo o Brasil. Em Mato Grosso do Sul, especialmente, a situação se agrava com a ausência de hospitais no interior. Qual a sua estratégia para descentralizar a saúde no MS?

Vamos construir e equipar Hospitais Regionais em Três Lagoas, Dourados e Corumbá, criando grandes centros de referência de atenção especializada no interior e atendendo melhor as pessoas, ampliar os hospitais de municípios polo, como Aquidauana, Campo Grande, Corumbá, Coxim, Dourados, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas, com leitos de UTI e assistência especializada, e instituir um programa permanente de reformas e modernização em unidades de saúde no interior do Estado. Além de melhorar a estrutura, vamos investir na contratação de mais médicos, fazendo convênios com as prefeituras e também ampliando a oferta de cursos de medicina nas universidades de Mato Grosso do Sul.

A questão econômica é sempre apontada pelos governantes como o principal pilar dos problemas na saúde. No entanto, o modelo hospitalocêntrico tem também a sua parcela de culpa. O senhor pretende investir em políticas de prevenção e de humanização na saúde? Quais são estas políticas?

Acredito que é fundamental investir na prevenção e na melhoria do atendimento. Em Campo Grande, criamos as unidades básicas de saúde da família, como foco justamente no cuidado com as pessoas sem que necessariamente elas apresentassem alguma enfermidade. Fizemos em Campo Grande e vamos fazer em todo o Estado. Além de valorizar o profissional da saúde, vamos implementar as ações efetivas nas redes de atenção à Urgência e Emergência, projeto Cegonha, Atenção Psicossocial, Atenção às Pessoas com Deficiência e Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas. Vamos focar também na construção de cinco centros para tratamento de dependentes químicos e implementar o programa Consultório na Rua.

A questão indígena é uma vitrine do Estado. Recentemente Mato Grosso do Sul foi apontado como o Estado com o maior número de assassinatos de índios no país. Como o senhor pretende fazer frente a esta questão?

Mato Grosso do Sul tem a segunda maior população indígena do País, com mais de 70 mil índios e por isso essa questão merece atenção especial. Nós vemos a população indígena carente em muitos aspectos, em função do total descaso do Governo Federal. Mas assim como fizemos em Campo Grande, criando escolas específicas para a população indígena e Aldeias Urbanas, vamos ajudar em tudo para garantir qualidade de vida para os cidadãos indígenas de Mato Grosso do Sul.  Faremos um programa de construção de escolas bilíngues nas aldeias, tanto a nível de Ensino Fundamental como Médio. Também vamos fortalecer o Vale Universidade Indígena para que todo jovem indígena possa concluir o curso superior e qualificá-los para o mercado de trabalho. Os índios têm direito a serviços públicos de qualidade, saúde, educação, assistência social e tudo o que envolve uma boa qualidade de vida.

Como o senhor imagina o futuro das comunidades indígenas no Mato Grosso do Sul?

Eu imagino as comunidades indígenas vivendo com qualidade de vida, com acesso à saúde, educação de qualidade, qualificação profissional, cultura e lazer, preservando sua tradição e costumes, e tendo todos os seus direitos garantidos.

Vamos construir e equipar Hospitais Regionais em Três Lagoas, Dourados e Corumbá, criando grandes centros de referência de atenção especializada no interior e atendendo melhor as pessoas, ampliar os hospitais de municípios polo.

Que políticas o senhor propõe para elevar a qualidade do ensino público no Estado?

Mato Grosso do Sul foi o estado que mais investiu recursos próprios em educação entre 2010 e 2012 entre todas as unidades da federação, destinando 35,48% de seu orçamento na área, de acordo com o MEC, conseguindo resultados muito positivos como o primeiro lugar no ranking da frequência escolar elaborado pelo Ipea em 2012. Mas podemos melhorar. Vamos levar para todo o MS as escolas de ensino integral que implantei em Campo Grande, profissionalizar todos os cursos de Ensino Médio da Rede Estadual com habilitações voltadas para o mercado de trabalho, criar o Programa “MS Cuida da Escola”, voltado para manutenção e modernização de todas unidades escolares da Rede Estadual de Ensino e vamos criar Núcleos Regionais de Educação, para melhor apoiar os municípios na consecução das políticas educacionais (transporte escolar, formação continuada, orientações curriculares e organização no regime de colaboração).

O senhor pretende investir na qualificação dos professores? Com que ações?

Com certeza. Na minha administração, os professores vão trabalhar motivados, qualificados, com salários valorizados, respeitando o Piso Nacional do Magistério, como fiz em Campo Grande. Elevamos o número de professores pós-graduados em 254%, financiando 100% os cursos de 1901 professores. Vamos criar incentivos financeiros para a qualificação e atualização profissional dos educadores em Mato Grosso do Sul. Criar os Centros de Formação para os Profissionais da Educação e o OLHOPrograma “Avança MS”, para melhoria dos indicadores de qualidade da educação pública com instituição de metas, bônus, prêmios para as escolas e servidores da educação também são algumas de nossas propostas.

A questão da infraestrutura é fundamental para a economia do Estado. Quais as suas prioridades nesta questão?

Vamos pavimentar e recapear 3.000 km de rodovias, acelerar a construção das ferrovias para os portos de Paranaguá e Santos, substituir as pontes de madeira por pontes de concreto com capacidade mínima de 30 toneladas, viabilizar o uso sustentável da hidrovia Paraguai-Paraná e revitalização dos portos fluviais, entre outras ações, para escoar melhor a produção e fazer com Mato Grosso do Sul seja o estado mais competitivo do Brasil.

Como o senhor pretende otimizar a transparência no Governo do Estado?

Transparência é fundamental. Em Campo Grande,  todas as informações relativas às contas públicas e à administração eram publicadas no Portal da Transparência em tempo real e também criamos a Central de Atendimento ao Cidadão, acessível a todos que buscassem qualquer informação da administração municipal. Tínhamos uma ouvidoria também, o 156 que era mais uma ferramenta para o cidadão se informar de tudo o que achasse necessário. No Governo Estadual, vamos ampliar ainda mais as condições de conhecimento e controle do uso dos recursos públicos, facilitando o acesso ao Portal da Transparência do governo estadual, que será disponibilizado nas páginas das Prefeituras e Câmaras Municipais, através de links, bem como de todas as demais instituições interessadas em facilitar o acesso à informação e Simplificando a forma de apresentação das páginas de Transparência Pública, vamos atualizar diariamente as informações apresentadas e Instituir a Ouvidoria Pública Estadual, dotando-a de instrumentos para receber todo o tipo de denúncias e reclamações, bem como aparelha-la para fazer averiguações internas que contribuam para combater e a prevenir todas as formas de corrupção no serviço público estadual.


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