13/04/2024 - Edição 540

Entrevista

Evander Vendramini – Candidato do PP ao Governo do Estado

Publicado em 26/08/2014 12:00 -

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Candidato do PP ao Governo do Mato Grosso do Sul, o advogado Evander Vendramini faz criticas fortes ao modelo administrativo proposto pelo PMDB nos últimos anos no Estado. Ele propõe um choque de gestão que abarque desde a economia até a transparência da máquina pública.

 

Por Victor Barone

Como alavancar a economia de um Estado ainda tão dependente da dobradinha soja e boi?

A carga tributária em Mato Grosso do Sul está entre as mais altas do País, esse é um dos grandes motivos para que a nossa economia fique estagnada e dependente do agronegócio, que apesar de tradicional, já não é tão lucrativo como antes. A alta carga de impostos é um fardo que está sendo carregado por quem deveria ser estimulado e não penalizado, pois são os produtores da riqueza em nosso Estado.

Esse modelo é na verdade uma forma de escravizar a classe empresarial, que fica à mercê do governo, sendo constantemente aterrorizada e vendo seus lucros serem transferidos para as contas públicas ao invés de se transformarem em novos investimentos para a geração de mais renda para o Estado.

Não adianta apenas dar incentivos paliativos, com doações de áreas e isenções de impostos específicos, é preciso implementar uma política de redução da carga tributária responsável e realista.

Como está previsto no terceiro ponto de nosso Plano de Governo, o Partido Progressista tem como premissa promover o progresso dos cidadãos sul-mato-grossenses, e entende que hoje com uma carga tributária excessiva e massacrante é impossível crescer, por isso pretende implementar uma política de desoneração tributária com o firme propósito de estimular o desenvolvimento do Estado.

Que estratégias o senhor traçará para desenvolver o interior do Estado?

Tanto eu, quanto minha candidata a vice, Virgínia Magrini, somos do interior do Estado e enquanto parlamentares vivenciamos cotidianamente a sua realidades, especialmente em se tratando das necessidades das pessoas.

Em nosso Plano de Governo, no ponto número cinco, que fala sobre planejamento e desenvolvimento regional, prevemos a implantação de uma política voltada para o interior do Estado.

Todas as nossas ações governamentais serão planejadas de acordo com as especificidades regionais, de maneira a estimular o desenvolvimento dos 79 municípios sul-mato-grossenses.

O desenvolvimento regional será dado em linhas de atuação que irão identificar desafios e vocações dos municípios e regiões do Estado, avaliando e priorizando demandas, definindo estratégias para a ação do Governo Estadual, inclusive para os programas de convênios, de maneira a integrar as políticas setoriais em projetos de desenvolvimento territorial, de modo a obter maior eficiência e efetividade na atuação governamental.

Mato Grosso do Sul tem uma imensa fronteira seca e é corredor de passagem para drogas e contrabando. Que estratégias o senhor pretende aplicar para coibir esta situação?

Temos que ser realistas. Infelizmente esse não é um problema cuja solução é apenas local. Não existem milagres ou facilidades nesse assunto. É preciso um somatório de forças entre Estado e União, de maneira a criar uma força tarefa permanente na linha de fronteira, além de ações específicas e rotineiras.

Pretendemos fortalecer a presença das polícias nas áreas de fronteiras, trabalhando em conjunto com o Governo Federal. Porém, a segurança pública também passa por áreas como saúde, educação, desenvolvimento, além é claro, dos recursos humanos e aparelhamento do setor. Em nosso governo iremos tratar esse tema com a responsabilidade e o cuidado necessários.

Em nosso Plano de Governo, temos como meta proporcionar qualidade de vida aos cidadãos sul-mato-grossenses, pois se trata de uma das primeiras obrigações do governo: oferecer uma vida mais confortável ao cidadão e às famílias em troca dos impostos que pagam, por meio de investimentos prioritários em políticas públicas voltadas para a educação, saúde, segurança, meio ambiente, habitação, turismo, cultura, esporte, lazer, trabalho, renda, obras, serviços públicos, agronegócio e desenvolvimento urbano e rural. Dessa forma, garantiremos uma vida mais tranquila e segura à população sul-mato-grossense.

Que tipo de polícia Mato Grosso do Sul terá com o senhor à frente do Governo do Estado?

Assim como fez em um ano e dois meses em Campo Grande, quando resgatou a dignidade da Guarda Municipal, o PP no Governo do Estado irá resgatar a dignidade e valorizar as Polícias Civil e Militar, além de investir na segurança pública, por meio das seguintes ações: investimento no aparelhamento das polícias Civil e Militar, assegurando veículos, fardamento e armamento em condições e número suficientes; investimento nos recursos humanos, por meio de melhores salários e condições de trabalho dignas; criação das Delegacias da Mulher 24h nas principais cidades de Mato Grosso do Sul, entre outras ações.

Estes são investimentos que exigem competência administrativa, conhecimento para analisar e executar projetos, competência técnica e principalmente sensibilidade social.  Essa será a marca da gestão progressista em Mato Grosso do Sul: a capacidade de realizar grandes e pequenos projetos, sempre de olho nas necessidades dos cidadãos, especialmente os mais humildes.

Acreditamos que recursos para a saúde não faltam, o que falta é a aplicação dos mesmos de forma democrática, transparente e voltada para as reais necessidades da população.

A questão da saúde é um nó em todo o Brasil. Em Mato Grosso do Sul, especialmente, a situação se agrava com a ausência de hospitais no interior. Qual a sua estratégia para descentralizar a saúde no MS?

Tanto eu, quanto a nossa candidata a vice, Virginia Magrini, por sermos do interior do Estado vivenciamos cotidianamente a falta de estrutura na área da saúde. Acreditamos que recursos não faltam, o que falta é a aplicação dos mesmos de forma democrática, transparente e voltada para as reais necessidades da população. Nossa meta é aplicar corretamente os recursos, combater a corrupção, criar uma política de descentralização da saúde e de valorização dos profissionais do setor.

Saúde deve ser sempre tratada como investimento e nunca como gasto. Para garantir saúde à população é preciso mais que obras, é necessário inverter a lógica do apenas construir prédios, para um novo modelo, onde cada centavo dos recursos da saúde seja utilizado com responsabilidade e em ações próximas da população.

A questão econômica é sempre apontada pelos governantes como o principal pilar dos problemas na saúde. No entanto, o modelo hospitalocêntrico tem também a sua parcela de culpa. O senhor pretende investir em políticas de prevenção e de humanização na saúde? Quais são estas políticas?

A chamada ambulancioterapia, muito comum, especialmente nos pequenos municípios, é um dos grandes fatores de superlotação dos hospitais (especialmente os da capital) e responsável pelo sofrimento dos pacientes, que ao invés de serem tratados próximos a sua residência são colocados em viaturas e deixados em outras cidades. O PP pretende desestimular essa prática investindo na descentralização dos serviços de saúde e no melhor aproveitamento dos recursos humanos e estruturais locais.

O PP irá levar às cidades sul-mato-grossenses, em parceria com as prefeituras, projetos simples, porém muito eficientes e humanos, que deram excelentes resultados na capital, como o Consulta Única e o Fila Zero. A saúde será o fator diferencial na administração progressista em Mato Grosso do Sul, que terá como premissa básica o atendimento às pessoas em primeiro lugar.

A questão indígena é uma vitrine do Estado. Recentemente Mato Grosso do Sul foi apontado como o Estado com o maior número de assassinatos de índios no país. Como o senhor pretende fazer frente a esta questão?

Apesar de ser uma questão de foro federal, o Estado não pode se omitir, nem tomar partido para um único lado. Tanto produtores, quanto e principalmente indígenas são vítimas nessa situação toda e não há um único responsável, pois a mesma é consequência do desenrolar da nossa história.

O que podemos fazer, enquanto Estado, é cobrar do Governo Federal a resolução rápida, pois não há mais tempo a perder com essa questão que atrapalha a vida de toda a nossa sociedade.

É preciso ter coragem para tomar as decisões e fazer com elas saiam do papel e é isso o que pretendemos, acompanhar muito de perto e garantir que todos os direitos sejam respeitados.

Como o senhor imagina o futuro das comunidades indígenas no Mato Grosso do Sul?

Por priorizar sempre as pessoas, o PP tem compromisso com a implementação de políticas públicas específicas de gênero, raça, entre outros. Para o PP, o Estado deve respeitar os direitos de todos e os princípios constitucionais.

Hoje nossas comunidades indígenas são as maiores vítimas da história sul-mato-grossense, é preciso resgatar a sua dignidade e não jogar a responsabilidade dos problemas para a conta única e exclusiva do governo federal, nós sul-mato-grossenses também somos responsáveis.

O Estado pode, e em nossa administração será assim, interferir nessa questão e fazer com que as populações indígenas tenham condições de viverem com dignidade, preservando costumes e cultura, para isso iremos manter os olhos voltados para essa questão, desde o atendimento à saúde, educação, segurança, como também no apoio ao cultivo de alimentos e à produção de artesanato.

Iremos manter em todas as áreas administrativas, departamentos voltados para a questão indígena, de maneira que os mesmos sejam atendidos com rapidez e se tornem parte da solução.

É preciso liberdade para crescer. O rompimento definitivo com as velhas oligarquias políticas e econômicas irá moralizar o Estado de Mato Grosso do Sul e livrar a sua população dos velhos ranços e vícios que tanto atrasam o seu crescimento humano e estrutural.

Que políticas o senhor propõe para elevar a qualidade do ensino público no Estado?

A educação de qualidade é a base para o desenvolvimento da sociedade, que contribui para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Assim como fez Alcides Bernal em Campo Grande, quando em menos de um ano aumentou duas vezes o salário dos professores, em nossa administração vamos valorizar os profissionais da educação, de maneira a garantir que os mesmos tenham estímulo para desempenhar seu importante papel em nossa sociedade.

Em relação à educação de nossos jovens e adolescentes, pretendemos investir em escolas em tempo integral, em formação profissionalizante e atividades extracurriculares.

Em relação ao ensino superior, é preciso levar para os municípios, cursos que atendam a vocação de cada região e que façam com que os profissionais fiquem em suas cidades de origem.

O senhor pretende investir na qualificação dos professores? Com que ações?

Além de garantirmos um salário digno, iremos proporcionar a oportunidade aos professores de se qualificarem com remuneração, ou seja, os professores que forem participar de cursos de cursos de qualificação superior continuarão a ser remunerados, o que estimulará o interesse dos professores.

A questão da infraestrutura é fundamental para a economia do Estado. Quais as suas prioridades nesta questão?

Preso aos mandos e desmandos de grupos políticos e econômicos que estão no poder há muitos anos, o Estado de Mato Grosso do Sul não consegue desenvolver-se efetivamente e consequentemente não consegue atender às necessidades da sua população.

É preciso liberdade para crescer. O rompimento definitivo com as velhas oligarquias políticas e econômicas irá moralizar o Estado de Mato Grosso do Sul e livrar a sua população dos velhos ranços e vícios que tanto atrasam o seu crescimento humano e estrutural.

Antes de pensarmos em incentivos, precisamos oferecer o básico, que é a qualificação profissional, além da garantia de que os municípios tenham estrutura social para que a chegada de novas empresas não se torne um problema no futuro.

Apesar da massificada publicidade que tenta convencer a população de que a mesma vive em um Estado prodigioso, o que se encontra hoje em Mato Grosso do Sul é uma realidade totalmente diferente, num Estado profundamente desigual e desequilibrado, marcado por obras faraônicas, mal feitas e superfaturadas que assombram as cidades, além de péssimos serviços públicos e uma carga tributária massacrante, que impede o desenvolvimento real e torna a população refém de quem detém o poder.

Diante desse cenário, entendemos que é preciso oferecer uma nova forma de administrar, onde as pessoas sejam prioridade e o Estado seja um aliado do desenvolvimento e não um mero cobrador de impostos.

O PP no governo do estado de Mato Grosso do Sul irá reverter essa lógica do gastar e gastar sem medidas, fazendo economia, por meio de obras e serviços mais eficientes e um rigoroso controle dos gastos públicos. O dinheiro dos sul-mato-grossenses não será mais desperdiçado em obras desnecessárias, de baixa qualidade e que beneficiam apenas aos “compadres” de quem está no poder.

Como o senhor pretende otimizar a transparência no Governo do Estado?

É simples, basta seguir a lei, o que não vem acontecendo nos últimos anos em nosso Estado. Em nossa administração além de seguirmos à risca a Lei de Transparência, publicando online todas as receitas e despesas da administração, de maneira que a população tenha acesso e entenda o como o dinheiro público está sendo usado, também pretendemos cortar pela raiz um mal que consome cerca de 30% do orçamento estadual, que é a corrupção.


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