15/06/2024 - Edição 540

Entrevista

Eduardo Riedel: “Vamos conduzir o Mato Grosso do Sul para o futuro”

Candidato ao Governo do Estado, ele fala com exclusividade à Semana On sobre seus projetos

Publicado em 19/08/2022 9:51 - Victor Barone - Semana On

Divulgação Eronemo Barros

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Candidato ao Governo do Estado pelo PSDB, Eduardo Riedel foi o artífice, nos últimos sete anos e meio, das políticas públicas que enxugaram a máquina administrativa do Estado, que implementaram a estratégia de municipalização das ações de governo e da interiorização dos investimentos, que levaram milhões de reais em investimentos aos 79 municípios de Mato Grosso do Sul.

Riedel é carioca de nascimento e sul-mato-grossense de coração, com fortes raízes em nosso estado e uma história de protagonismo e representatividade tanto no agronegócio quanto na gestão pública. Graduado em ciências biológicas pela UFRJ é mestre em zootecnia pela UNESP e especialista nas áreas de gestão empresarial, pela FGV, e gestão estratégica, pelo instituto francês INSEAD. Em 1994, Riedel casou-se com Mônica e teve dois filhos: Marcela e Rafael.

Em 1995, após o falecimento de seu avô, Sebastião, mais conhecido como ‘Seu Tatão’, Riedel assumiu a gestão da propriedade rural da família, em Maracaju. Com foco na gestão e na tecnologia, mudou o perfil produtivo da Fazenda Sapé – tornando-a referência em governança familiar, sustentabilidade e diversificação por meio da produção de carne bovina e genética brangus, cana-de-açúcar, grãos, leite e avicultura de corte.

Mas foi a vontade de fazer mais pelo coletivo que levou Riedel a participar do Sindicato Rural de Maracaju até presidir a entidade em 1999. Seu perfil de liderança o transformou em presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de MS (FAMASUL) e, em seguida, diretor da Confederação Nacional de Agricultura (CNA).

Seu destaque no segmento foi tão grande que Riedel foi considerando uma das 100 personalidades mais influentes do agronegócio brasileiro.

Em 2015, a convite do governador Reinaldo Azambuja, assumiu um desafio ainda maior e aceitou ser Secretário de Governo. Na SEGOV, Riedel conduziu pessoalmente as mais importantes reformas realizadas no estado, tornando-o o mais enxuto do brasil e líder em transparência.  À frente desta secretaria por dois mandatos, Riedel cortou despesas, modernizou processos e liderou equipes de várias áreas, em busca de mais eficiência e resultado no serviço público. Foi assim que o Mato Grosso do Sul se tornou o 1o estado em crescimento, o 1o em investimento por habitante; o 2o em liberdade econômica; o 3o com o menor desemprego e o 5o com a menor taxa de pobreza do país.

Eduardo Riedel deixou a pasta em 2021 para assumir o cargo de Secretário de Infraestrutura de Mato Grosso do Sul, com a missão de impulsionar o ciclo de desenvolvimento econômico, social e humano do Estado.

Durante a pandemia ele também presidiu o comitê gestor do programa de saúde e segurança na economia, o ‘Prosseguir’, que teve papel fundamental tanto no controle da propagação da Covid no estado, quanto na retomada das atividades econômicas e nas políticas de auxílio para os mais carentes e, também, do setor produtivo pós-crise.

Após tantas experiências, Riedel foi chamado para um novo grande desafio: ser candidato ao Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e disputar, pela primeira vez, um cargo eletivo.

 

O que o senhor fará para solucionar as demandas da saúde caso seja eleito?

O financiamento da saúde pública no Brasil é tripartite. Isso significa que a União os Estados e Municípios tem que contribuir com uma fatia de sua manutenção. Historicamente esta divisão tem pesado mais aos cofres estaduais e municipais, que são os grandes responsáveis pela manutenção da máquina do SUS, hoje. A manutenção do custeio de leitos de UTI e o financiamento do próprio SUS passam, portanto, por políticas públicas que permitam investimentos superiores ao teto constitucional da Saúde. Para isso, é preciso fortalecer ainda mais a nossa economia, dando aos municípios fôlego fiscal para ampliarem sua margem de investimentos. Da mesma forma, o Estado deve garantir não só o mínimo constitucional mas, também, ampliar este percentual conforme a necessidade. Para isso, vamos continuar trabalhando para aumentar a pujança econômica de Mato Grosso do Sul, gerando mais riquezas e, em consequência, aumentando nossa capacidade de investimento.

Tivemos a pandemia, que comprometeu o sistema de saúde, mas que foi enfrentada com investimentos sólidos. Conseguimos ser o estado que mais vacinou no Brasil, justamente por esta relação com os 79 municípios, esta sinergia que atendeu a população, colocando a vacina no braço das pessoas, inclusive na fronteira.

O processo de regionalização da saúde tem sido fundamental, e será ampliado nos próximos anos. A regionalização da saúde, com a construção e ativação de novos hospitais, está sendo vital para desafogar o fluxo de pacientes na capital. Com isso, o atendimento de pacientes do interior em Campo Grande diminuiu de 45% para 9%. A regionalização existe na prática.

Assumimos um governo com 500 mil pessoas na fila de procedimentos, por isso realizamos a Caravana da Saúde. Ela foi fundamental para diminuir as filas num primeiro momento. E agora temos que continuar o processo.

O caminho para uma saúde mais potente em MS é dar foco à Atenção Básica, e vamos trabalhar junto com os municípios para contratar mais profissionais de saúde, dependendo do resultado que cada município apresentar na Atenção Básica. Vamos trabalhar juntos.

Qual o próximo passo?

Vamos concluir a interiorização e atacar uma das principais causas da insatisfação das pessoas: a atenção básica, o posto de saúde que está caindo aos pedaços, as pessoas aguardando horas na fila, sem médico para atender. Tem municípios que fizeram o dever de casa e dão show na atenção primária, com mais de 95% de cobertura, e tem municípios que não fizeram bem este trabalho. Vamos ter que cobrar duramente este resultado, pois eles são o ponto de partida da complexa administração da saúde.

O investimento mais importante para o setor se dá em ações de promoção de saúde e prevenção de doenças, e também na atenção primária, que devem estar associadas a outros setores, como a questão do saneamento e dá segurança no trânsito, que também impactam na saúde. Tudo isso tem grande influência na redução do número de internações hospitalares, desafogando o setor. São ações tão ou mais importantes do que a construção de hospitais. Outro aspecto que influencia na economia de recursos é qualificação profissional e a infraestrutura e tecnologia dos serviços hospitalares. Vamos estar focados nisso.

A evasão escolar e a qualidade no ensino são uns dos déficits da educação. Como pretende lidar com o setor? E de que forma pretende transformar e melhorar a educação pública estadual?

Temos trabalhado e vamos trabalhar ainda mais para fortalecer a educação, pois é dela que sai a transformação da sociedade. Já fui professor, essa é uma área que valorizo muito. A evasão escolar passa por vários pontos, entre eles a qualidade das escolas. Por isso, 250, das 340 escolas estaduais de Mato Grosso do Sul foram reformadas nos últimos anos. Vamos focar nisso. Transformar nossas escolas em ambientes mais confortáveis e modernos.

Atualmente, 40% dos nossos alunos estudam em tempo integral. Quero que as reformas e a educação em tempo integral cheguem a 100% das instituições de ensino do Estado.

Hoje, temos o MS Alfabetiza, ajudando os municípios com formação continuada de professores e material didático para alfabetizar nossas crianças com qualidade. Temos também o MS Matemática, com apoio financeiro e recursos técnico aos municípios. Isso é fruto de uma gestão municipalista. Outra grande transformação na educação é a rede de infovias digitais, com 7 mil km de fibra ótica, que será instalada no Estado e que terá um impacto enorme no setor.

Mas nada disso adianta sem qualificação profissional. Por isso a importância de valorizar e oferecer recursos de desenvolvimento profissional aos profissionais da educação. Vamos apostar forte na qualificação destes quadros tão importantes para o futuro do Estado. A equiparação do salário dos professores convocados aos concursados é uma das demandas que pretendo atender.

São ações que ajudarão a melhorar os indicadores de educação, que só aumentam em MS: a evasão escolar diminuiu, o índice de reprovação caiu, a média dos alunos melhorou, enfim, isso só fez melhorar essa área. Quanto mais tempo na escola, mais qualificados saem estes alunos, o que melhora e muito a geração de renda e consequentemente a economia. A segurança é outra área que ganha muito quando a educação vai bem, já que os índices de criminalidade caem bastante. Toda a sociedade é renovada.

Em MS existe déficit de aproximadamente 80 mil unidades habitacionais. Quais são os caminhos para garantir a moradia?

Este tema deve ser abordado com realismo e responsabilidade. Temos que ser muito honestos. Habitação é mobilização de recurso federal, estadual e municipal. Se unificarmos as três fontes e todos tiverem este ponto como prioridade vamos conseguir sanear este déficit.

Nos últimos oito anos o Estado entregou 30 mil unidades habitacionais. Agora, é preciso ter criatividade para solucionar o problema. Temos que otimizar a construção em diferentes modalidades, temos que ser criativos. O lote urbanizado, por exemplo, foi uma modalidade que fugiu ao financiamento do Governo Federal, e é um programa muito exitoso, onde prefeituras doam o terreno, o estado compra o material e as pessoas constroem. É uma forma de irmos sanando este déficit que existe no estado e no Brasil.

Vamos incentivar também a ação da iniciativa privada neste setor. Vamos apoiar os investimentos privados, a construção civil, que ajuda a sanear este déficit em outra faixa de renda.

A questão deve ser encarada sem demagogia. Tem que ser prioridade de governo, tem que ter fonte orçamentaria para que possamos ter capacidade de investir. Para isso, o governo tem que estar saneado.

Os impostos altos são temperança da população em geral. Como realizar de fato uma aplicação justa a população? Quais os planos?

Este é um dos temas que despertam a minha preocupação, e que serão alvos de minha atenção nos próximos anos, esta necessidade de uma reforma tributária nacional que alivie o empresariado e possibilite mais segurança nos investimentos.

É muito fácil prometer redução de impostos, quando, na verdade, a questão é mais ampla. Por isso, eu vou brigar muito por esta reforma tributária nacional. O país está se arrastando neste tema há décadas. Vivemos uma selva tributária, uma carga alta em todo o país, onde cada estado faz sua regulamentação específica, criando diferentes barreiras e um sistema difícil e complexo para as empresas. Isso é uma âncora que segura o desenvolvimento das empresas.

Quando mais enxuto e eficiente for o Estado, maior a tendência será a de buscar uma redução tributária para ter mais competitividade. Mas, temos que simplificar a legislação brasileira como um todo. Não podemos mais conviver com este ambiente inóspito e inaceitável para o setor produtivo brasileiro.

É preciso enxugar a burocracia fiscal que manieta o desenvolvimento e inibe o empresariado. Excesso de impostos gera redução nos investimentos e, em consequência, diminui a oferta de empregos. Vamos estar atentos a isso.

Em relação aos programas sociais, o que pensa ser prioridade? Quais são as ideias e como vai aplicá-las?

Este é um tema caro à mim. Fui um dos idealizadores dos programas sociais que ampararam a população carente de Mato Grosso do Sul nos períodos mais agudos da pandemia, e que permanecem ainda como políticas de Governo. Foram programas apontados em todo o país como exemplos de ações na área da assistência social e distribuição de renda.

Estes programas serão fortalecidos e ampliados nos próximos anos, com o objetivo de quebrar o ciclo de desigualdade social no Estado. Juntamente com a geração de empregos, e com a atração de novas indústrias ao Estado, nos próximos anos vamos estar atentos a necessidade de garantir o mínimo necessário para uma vida digna aos nossos cidadãos que ainda estão na base da pirâmide social.

Entre os programas que implementamos nos últimos anos está o “Mais Social”, que atende 100 mil famílias por meio de um cartão social, no valor de R$ 300 por mês, e que também pode ser utilizado em qualquer estabelecimento comercial para compra de comida e de itens de higiene, além de gás de cozinha (GLP). Outro destaque é o “Energia Social: Conta de Luz Zero”, em que o Governo paga a conta de energia elétrica de 162 mil famílias, que consomem até 220kw/h por mês. Também incentivei o “CNH MS Social” que arca com todos os custos para o beneficiário ter acesso a sua primeira carteira de habilitação.

Estes programas beneficiam pessoas com renda mensal familiar per capita inferior a meio salário mínimo. Vamos manter e ampliar os programas sociais para levar dignidade a famílias carentes. Estas políticas terão continuidade.

Quais serão as obras “carros-chefes” da gestão? O que pretende priorizar a curto, médio e longo prazo?

Para mim este é um dos temas mais relevantes, pois é transversal. A infraestrutura é uma ferramenta de modernidade, de políticas públicas em educação, saúde, saneamento, transporte, logística e turismo – e a conclusão do Bioparque Pantanal foi consequência desta visão.

Nós investimos quase 6,5 bilhões em infraestrutura desde 2015. Foram obras em todos os municípios, com ênfase em rodovias, pavimentação, pontes de concreto, saneamento básico, cuja cobertura saltou de 36% para 57% e que chegará à universalização.

Vamos investir ainda mais nas estradas e no escoamento da produção. Tenho orgulho de ter viabilizado a primeira concessão de rodovias em MS, na 306. Agora a União vai delegar ao estado a 152 e a 112, dando continuidade ao processo de atração de capital privado para investir em nossa infraestrutura. Fizemos mais de 1100 km de rodovias pavimentadas, que é extremamente importante para a competitividade do nosso agronegócio, e vamos ampliar a melhora da malha rodoviária.

Outro ponto importante é a retomada da modalidade fluvial pelo rio Paraguai, com uma concessão privada a portos que já vai exportar 2 milhões de toneladas de grãos. Além disso, mudamos a estrutura de energia no Estado. A infovia, o investimento em aeroportos, a chegada da Rota Bioceânica, tudo isso faz parte da nossa estratégia de crescimento e desenvolvimento para o Estado.

Como garantir um equilíbrio fiscal aos cofres e suprir as demandas na administração, e da população?

Fui um dos artificies da modernização do Estado sul-mato-grossense. No comando da equipe de Governo, transformamos Mato Grosso do Sul em um dos estados com a máquina pública mais enxuta, reduzindo secretarias, modernizando procedimentos, valorizando o servidor. Incrementar esta estratégia será fundamental nos próximos anos. Meu objetivo é tornar o Estado ainda mais funcional, mais moderno.

Em 2014, o primeiro escalão do governo de Mato Grosso do Sul contava com 15 secretarias. Três anos depois, em 2017, a reforma administrativa reduziu a máquina administrativa de 13 para 10 pastas. Esta adequação foi fruto de muito planejamento, muito trabalho e dedicação nos últimos sete anos e meio. Encontramos um estado inchado e ineficiente, como a maioria dos estados brasileiros.

Nós começamos acabando com o desperdício e reduzindo o custo da máquina. O objetivo em vista era o de abrir espaço para investimentos, porque o recuso é um só: ou você investe no que a população mais precisa, ou você gasta com o próprio governo. Na minha opinião, esta última opção não faz sentido algum. A gente teve que enfrentar a reforma administrativa para poder mudar esta realidade. Cortamos gastos, diminuímos secretarias, tiramos privilégios e isso deu resultado, valeu a pena.

Hoje o Mato Grosso do Sul é o Estado que mais devolve para a população aquilo que arrecada. Foi trabalhoso, difícil, mas nós encaramos e realizamos. O nosso objetivo central neste período sempre foi gastar menos com a máquina do Estado para podermos gastar mais com as pessoas. E vai continuar sendo assim.

Como pretende alinhar a preservação, conscientização e importância dos biomas do Estado, e a questão da expansão do agronegócio? Qual estratégia?

Nosso Estado tem sido um exemplo da aliança entre meio ambiente e desenvolvimento. Nos últimos anos implementamos políticas de desenvolvimento sustentável, especialmente no que se refere a descarbonização. Para isso, promovemos a cooperação para o financiamento, incentivos, desoneração, capacitação, desenvolvimento, transferência e difusão de tecnologias e de processos. Ampliaremos estas políticas nos próximos anos.

Entre os projetos que capitaneei e que pretendendo aprofundar estão a produção de carne orgânica sustentável, integração Lavoura-Pecuária Floresta (ILPF), programa de recuperação de solos e mananciais, crédito para FCO Verde, geração de energia limpa por meio de biogás na suinocultura, energia solar e de biomassa de cana e madeira. São programas que tem como objetivo nos colocar na dianteira da corrida pela certificação de Carbono Neutro até 2030, e que tem atraído a atenção de governos e empresas dentro e fora do país.

Apesar de considerar uma meta ‘ousada’, acredito que Mato Grosso do Sul será um exemplo para o Brasil e para o mundo, e que estamos no caminho para sermos certificados internacionalmente como um território Carbono Neutro, implementando e respeitando três eixos de políticas ambientais, a preservação da biodiversidade, proteção dos mananciais de águas e o balanço do carbono.

Estas são políticas que unem preservação e desenvolvimento, e que colocam o Mato Grosso do Sul em uma posição de destaque para investidores que, cada vez mais, percebem a importância de aliar estas duas pontas em prol de um futuro sustentável e rentável.

Como incentivar o turismo de MS?

O turismo de Mato Grosso do Sul tem correlação muito alta com a questão da infraestrutura e toda a questão ambiental. Quando unificamos as secretarias de Meio Ambiente e de Produção, nosso objetivo era o de mandar um recado claro: de que desenvolvimento se faz com absoluto respeito as questões ambientais.

Temos que destacar as riquezas naturais do Estado, espalhadas por nossos três biomas: o Pantanal, o Cerrado e a Mata Atlântica. No Cerrado, temos maior desenvolvimento da agropecuária; no Pantanal, o maior ativo de nossa biodiversidade e a necessidade de preservação junto à produção sustentável.

Não se pode falar em Meio Ambiente e Turismo sem falar de infraestrutura. É o nosso meio-ambiente o que mais atrai turistas ao Estado. E o turismo, para ser alavancado, precisa de estradas e conectividade. Vamos conectar os estado com fibra ótica, prepará-lo para receber o 5G. Investimos e vamos continuar investindo nas estruturas de aeroportos, não apenas na capital, mas em Dourados, Coxim, Bonito. Além disso, somos um dos poucos estados que tem uma agenda para 2030 focada no meio ambiente, no carbono neutro. Somos otimistas em relação ao nosso futuro.

Como será sua relação com os prefeitos de MS?

Será uma relação de muita parceria. Vamos aprofundar o processo de interiorização do desenvolvimento do Estado, por meio de uma política “municipalista”. Muita gente não compreende a importância do municipalismo. Há 45 anos todos falam disso. Mas nos últimos sete anos nós colocamos este conceito em prática no Mato Grosso do Sul.

Municipalismo é definir prioridades para cada município e aplicar investimentos para que estas prioridades sejam atendidas. Isso destrava os gargalos dos municípios. Nosso plano de governo é individualizado para cada município, pois sabemos as angústias de cada um deles. Sabemos a demanda de cada um. Vamos investir nesta ideia.

Diante do cenário eleitoral polarizado, como será a sua relação com o futuro presidente da República?

Antes de mais nada é preciso dizer que temos uma relação de muita parceria com o presidente Jair Bolsonaro. Ao lado da futura senadora Tereza Cristina, vamos trabalhar par e passo com o Governo Federal neste projeto de crescimento e desenvolvimento do país, que, por consequência, engloba o Mato Grosso do Sul. A relação de um governador com o presidente da República deve ser cordial, republicana e voltada aos interesses do Estado. Teremos uma postura de parceiros, em defesa das causas do MS e do Brasil. Foi assim que nos tornamos o estado que mais vacinou no país, e agora o estado que mais cresce. Isso é resultado de governos que trabalharam juntos, com grande responsabilidade. Eu tenho convicção de que vai continuar ser assim e nós vamos avançar ainda muito mais. Eu sou um homem de fé! Está tudo pronto pra gente dar um grande salto.

Como vai lidar com os servidores públicos?

Nossa relação será de respeito e valorização. Temos que valorizar e qualificar o funcionalismo. Investir neles não é gasto, é investimento público. Teremos um compromisso com os servidores de manter um diálogo franco e transparente. Estaremos atentos a estes pilares nos próximos anos.

Com população de 2.839.188 habitantes, Mato Grosso do Sul gasta anualmente 40% da receita arrecadada para custear 52.443 servidores públicos ativos, distribuídos nas 11 secretarias. Ao todo, são 84.206 servidores, sendo 31.763 inativos. Os gastos com o funcionalismo estão dentro da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) e permaneceremos assim.

A questão dos indígenas não pode ser deixada de lado pelo Governo do Estado. Como pretende lidar com as demandas dos povos originários?

Os indígenas sul-mato-grossenses são parte fundamental da nossa identidade cultural e humana. Para além disso, é preciso desenvolver uma nova visão em relação a estas culturas, encarando-as como ativos do Estado. Cabe ao poder público criar políticas públicas que deem aos mais de 80 mil indígenas do Estado a capacidade de desenvolver suas culturas de forma autônoma e, ao mesmo tempo, oferecer a eles as condições básicas para isso.

Hoje, o Estado tem aldeias indígenas distribuídas por 29 localidades. A população de índios soma 80.459 habitantes em Mato Grosso do Sul, presentes em 28 municípios. Representados por oito etnias: guarani, kaiowá, terena, kadwéu, kinikinau, atikun, ofaié e guató.

É preciso aumentar as ações do estado em direção a uma política de desenvolvimento dessas comunidades. E tem que ser de dentro pra fora. Quem sabe o que precisa ser feito nessas comunidades são eles mesmos, os indígenas. Primeiro temos que ouvir e entender este processo dentro da diversidade cultural e étnica que temos, para, a partir dessa compreensão, agir de maneira efetiva a favor dessas comunidades, respeitando os interesses de cada um.

Diversas ações de Estado realizadas em Mato Grosso do Sul em prol das comunidades indígenas tem sido realizadas. Vão desde fornecer segurança alimentar, com entrega de cestas básicas, até o Vale Universidade Indígena. Todavia, ainda, muito a ser feito. Vamos trabalhar para viabilizar mais mecanismos de desenvolvimento econômico para estas comunidades, sempre respeitando suas bases culturais. O desafio de vivermos todos em paz, com direitos e deveres, com a garantia de criarmos nossos filhos com dignidade. Este será o meu foco nos próximos anos em relação a este tema.


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