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Entrevista
Publicado em 23/12/2014 12:00 -
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Reinaldo Azambuja Silva, 51, surpreendeu o Mato Grosso do Sul nas últimas eleições ao deixar para trás na corrida rumo ao Governo do Estado os dois favoritos, o petista Delcídio do Amaral e o peemedebista Nelson Trad Filho. Agropecuarista, assumiu os negócios da família em 1982. Filiado ao PSDB, foi prefeito de Maracaju (1996 – 2000), presidente da Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul), deputado estadual (2006-2010) e deputado federal (2010-2014). Candidatou-se à Prefeitura de Campo Grande em 2012 obtendo 25,43% dos votos válidos, mostrando que seria uma peça importante na sucessão do governador André Puccinelli (PMDB). Sua eleição ao governo do Estado quebrou duas máquinas políticas que até então vinham protagonizando o jogo político em MS. Azambuja terá muitos desafios em seu governo. O principal será desvencilhar-se dos antigos adversários e garantir a governabilidade.
Por Victor Barone
O senhor foi eleito por um eleitor desejoso de mudanças. Que mudanças o senhor pode trazer para Mato Grosso do Sul?
A principal mudança, sem dúvida, é a de prioridades. Vamos trabalhar com as prioridades das pessoas. Não será um governo apenas de obras, mas um governo que garanta o funcionamento dos serviços de forma eficiente e com transparência em tempo real da aplicação dos recursos públicos. O Estado não pode estar ausente. O nosso maior desafio será fazer com que o braço do Estado chegue a todos, especialmente às famílias que mais necessitam. Vamos perseguir, sem trégua, a eficiência, a eficácia e efetividade para que, do outro lado, possamos melhorar a vida da população.
O Brasil passa por uma crise econômica e os Estados, em consequência, também passam por dificuldades. Como administrar MS em meio a este cenário?
Precisamos ter serenidade e trabalhar com as prioridades das pessoas. É preciso conter gastos com a máquina e isso nós vamos fazer. Faltam recursos, não há dúvida, mas falta, sobretudo, eficiência na gestão dos recursos. Daí a nossa disposição de trabalhar para as pessoas, com as pessoas, com a responsabilidade de, no poder público, contar com a importante contribuição dos servidores, oferecendo a eles condições de se qualificar e assim poder oferecer eficiência na nobre função de servir a coletividade.
Mato Grosso do Sul é um Estado centrado na capital. Questões como a industrialização acabam sendo centradas em Campo Grande. Como o senhor pretende enfrentar esta situação?
Vamos mudar a lei de incentivos para interiorizar o desenvolvimento. Nosso objetivo é atrair indústrias e gerar empregos para todas as regiões do Estado, acabando com os bolsões de pobreza e garantindo também a permanência das empresas já instaladas. Vamos trabalhar com as potencialidades e as especificidades de cada região.
É preciso conter gastos com a máquina. Faltam recursos, mas falta, sobretudo, eficiência na gestão dos recursos.
A saúde é área que sobrecarrega a capital. É possível dotar o interior de mecanismos que supram as necessidades da população neste setor? Quais são eles?
Sim. Neste primeiro ano de mandato vamos dar prioridade aos mutirões de saúde para reduzir a fila de pacientes à espera de cirurgias. No nosso plano de governo, assumimos o compromisso de levar atendimento aos polos regionais. Muitas vezes os hospitais regionais possuem uma boa estrutura física, mas falta atendimento. Temos também o desafio de concluir os hospitais do Trauma e do Câncer, em Campo Grande, ampliando o número de leitos.
O senhor obteve o apoio do grupo político do ex-prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho no segundo turno. Qual será a participação deste grupo em seu governo?
Nós recebemos o apoio de muitas pessoas no segundo turno e isso foi importante para a nossa vitória. Foram adesões de forma espontânea, sem imposições relacionadas a cargos e sem mudar um milímetro do nosso programa de governo, que nasceu com o Pensando MS e com a vontade da população de Mato Grosso do Sul. Essas pessoas se juntaram ao nosso projeto por acreditar nessa nova política, em governar próximo das pessoas, com as prioridades da população. Ainda estamos montando nossa equipe. Os nossos secretários terão um perfil um pouco mais técnico. Alguns nomes já foram anunciados. O Sérgio de Paula irá assumir a Casa Civil e o ex-presidente da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Eduardo Riedel, será o secretário de Governo e Gestão Estratégica. Marcelo Miglioli irá comandar a Secretaria de Infraestrutura e o deputado Marcio Monteiro, a Secretaria de Fazenda. A vice-governadora Professora Rose vai assumir a Secretaria de Direitos Humanos, Inclusão e Assistência Social. Foi uma escolha emblemática que mostra a relevância que vamos imprimir no campo social para fazer um governo que gosta de gente e que cuida das pessoas, especialmente das que mais necessitam. Então, não existe isso de cargos para o grupo deste ou daquele. Vamos escolher pessoas experientes, que tem noção do que é gestão, do que é fazer um governo eficiente e atender as demandas da população.
Vamos compor com os partidos aliados uma base de apoio, isso não quer dizer que vamos entregar os cargos aos partidos.
Como o senhor está se relacionando com este momento – comum a todos que são eleitos para cargos no executivo – de cobrança dos aliados por espaço político? O senhor tem medo de, no andamento de seu mandato, ser obrigado a lotear o Governo do Estado entre aliados?
Os secretários terão um perfil mais técnico, mas é claro que o governo tem a parte política. Nós vamos fazer uma boa política para ter governabilidade, para compor com os partidos aliados uma base de apoio, para ter realmente esses partidos comprometidos com a política do governo. Isso não quer dizer que vamos entregar os cargos aos partidos. Nós vamos escolher pessoas que conhecem a área que vão atuar.
Que tipo de relação o senhor imagina desenvolver com a imprensa sul-mato-grossense?
Eu acho que precisamos ter uma política de comunicação de todo o governo, mostrando as ações e as prioridades. O governo tem que comunicar bem e ter transparência.
Mato Grosso do Sul nunca foi um Estado conhecido pela transparência na máquina pública. O senhor pretende mudar este cenário? Como?
Nós temos que ter transparência para as pessoas conhecerem como funciona o governo: quanto arrecada, onde gasta, com o que gasta e para quem gasta. Vamos ter pregões eletrônicos, auditoria e a Controladoria-Geral do Estado, com ouvidoria e corregedoria, para garantir o bom uso do dinheiro público. A transparência é importante porque aproxima as pessoas do poder público, além de inibir e combater a corrupção. Na hora que os governos tiverem transparência e forem intransigentes com a corrupção, teremos uma sociedade mais participativa.
A população indígena não precisa apenas de mais terras, mas também de educação, cultura, tecnologia e produção.
O senhor é um empresário oriundo do agronegócio. Como enfrentará a difícil questão indígena no Estado?
Vamos governar para todos os sul-mato-grossenses. A paz no campo é uma prioridade e o Estado pode ser árbitro na questão fundiária para fazer a ampliação de algumas aldeias, sem conflito com os produtores. A população indígena não precisa apenas de mais terras, mas também de educação, cultura, tecnologia e produção. Muitas aldeias estão abandonadas e desassistidas e isso é muito triste. Temos também que dar segurança jurídica ao produtor rural para que ele possa continuar produzindo cada vez mais e sustentando a economia de Mato Grosso do Sul e do País.
O que o sul-mato-grossense pode esperar de seu governo?
A população pode esperar um governo eficiente, transparente e humano, que trabalhe com as prioridades das pessoas, e não dos governantes. Vamos inverter as prioridades. É hora de gastar menos com o próprio governo para poder investir mais na população. Teremos um Estado mais enxuto e mais austero, que cuida bem de cada centavo do dinheiro público. O governo que funciona tem a obrigação de transformar os altos impostos, que pagamos, em serviços públicos de qualidade. A população também pode esperar um olhar muito especial e diferenciado no campo social, que terá na Secretaria de Direitos Humanos, Inclusão e Assistência Social, a nossa vice-governadora Professora Rose.
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