Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Cultura e Entretenimento

Quando a arte não tem fronteiras

O coração da América do Sul bate em Corumbá

Publicado em 17/05/2025 11:04 - Semana On

Divulgação Gov MS

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Desde sua primeira edição em 2004, o Festival América do Sul é realizado em Corumbá com o objetivo de destacar a latinidade e promover a integração entre os países do continente, por meio da arte e da cultura. A cada ano, artistas de diferentes nações sul-americanas se encontram na fronteira entre Brasil e Bolívia para compartilhar seus saberes e talentos em diversas linguagens.

CLIQUE PARA SEGUIR A SEMANA ON NO INSTAGRAM, NO FACEBOOK E NO WHATSAPP

A artesã paraguaia Sara Gaona veio de Assunção para expor e comercializar suas joias sustentáveis da marca Cateura, feitas com materiais reciclados.

“É muito bom conhecer culturas diferentes. Viemos de lugares distintos para mostrar nosso trabalho e também para aprender. Me sinto representada no Festival, porque posso falar do Paraguai e mostrar um pouco do que fazemos por lá. É minha primeira vez no Brasil e estou me sentindo muito bem acolhida”.

Da Colômbia, o artesão Jefferson Morales trouxe o encanto do artesanato andino, inspirado em elementos místicos da floresta. Suas peças retratam duendes, fadas, bruxas e magos.

“Fico feliz em representar meu país. É uma oportunidade incrível mostrar um pouco da cultura colombiana. Aqui temos a chance de trocar experiências com artistas de outros países, e isso é muito valioso. Aprendi com colegas da Argentina, do Chile… Essa troca enriquece nosso trabalho”.

Representando o Chile, a ceramista Carolina Lainez participa pela segunda vez do Festival. Suas peças têm forte inspiração nas cerâmicas pré-colombianas e em elementos da estética latino-americana.

“É muito enriquecedor poder compartilhar meu ofício e conhecer como a cerâmica se desenvolve em outros países. Esse intercâmbio é valioso. Me apresento como chilena, mostrando um pouco do que carrego da minha terra”.

O argentino Hernán Lira também marca presença na feira de artesanato com seus brinquedos autômatos de madeira.

“Viajar transforma. A cultura do nosso litoral argentino é parecida com a dessa região. Há uma conexão que ultrapassa fronteiras, que se reflete nos rios, na música, no modo de viver. Estar aqui é um aprendizado constante. O que trago é apenas uma pequena mostra do artesanato argentino, que é tão vasto e diverso”.

Diego Cuellar, músico boliviano, toca viola e participa da Orquestra América do Sul, que se apresentou na abertura do Festival. Em 2021, chegou a Corumbá para colaborar com o Instituto Moinho Cultural e acabou ficando. Hoje, é regente da orquestra base e atua na coordenação acadêmica.

“Corumbá é uma cidade de fronteira com muitas vantagens culturais. O idioma facilita tudo, desde o trabalho até a criação de amizades. Participar do Festival e representar a Bolívia é sempre uma alegria”.

Também na Orquestra América do Sul, o violinista Marlon Villegas, do Peru, celebrou a oportunidade de tocar com músicos de várias nacionalidades. “Aqui não tem só Brasil, Peru ou Argentina. Tem gente do Suriname, do Equador, da Colômbia… Cada um com sua cultura, suas comidas típicas. É uma troca rica”.

Diretamente da Guiana, o músico Montgomery Washington trouxe o som caribenho dos steel drums. “Fiquei muito feliz com o convite. É minha primeira vez aqui e estou empolgado em participar de um festival que reúne tantos países da América do Sul. Me sinto honrado em representar a Guiana nesse palco tão importante”.

Fechando esse time de talentos sul-americanos, o acordeonista argentino Alejandro Brites emocionou o público com seu chamamé. Nascido em Buenos Aires, mas filho de pais correntinos, ele cresceu envolvido por essa tradição musical.

“Essa cultura moldou quem sou. Hoje, poder compartilhá-la com a Orquestra América do Sul é uma alegria. Aqui se respira a alma do nosso continente. Nossa forma de cantar, de dançar e de viver. É uma conexão ancestral com a terra e com o universo”.

Gastronomia de Fronteira

No coração do Pantanal, Festival América do Sul 2025 transforma sabores da fronteira em celebração da cultura, da memória e do afeto

Em Corumbá, onde o Brasil abraça a Bolívia e troca sabores com o Paraguai, a gastronomia se transforma em linguagem universal. No 18º Festival América do Sul, realizado entre os dias 15 e 18 de maio, a culinária é mais do que parte da programação: é uma ponte entre povos, uma herança viva e uma experiência que emociona quem vive e quem visita.

Com influências marcantes das cozinhas fronteiriças e das tradições do interior do Brasil, a gastronomia sul-mato-grossense revela uma identidade própria, feita de histórias, afetos e ingredientes que se encontram no prato e no coração.

Na área gastronômica do festival, aromas se misturam ao som dos shows e à alegria dos visitantes. É onde a boliviana Délia Duran Ribeiro, radicada há mais de 30 anos em Corumbá, compartilha receitas que atravessaram fronteiras junto com ela.

“É muito bom viver em Corumbá. E este Festival está cada vez melhor, mais organizado, mais bonito. Ele é muito importante para nós, porque nos permite vender nossa gastronomia”, diz.

Em sua barraca, a saltenha, a chipa, o majadito e a tradicional chicha, bebida fermentada de milho, fazem sucesso com o público. “As pessoas adoram, especialmente durante o Festival. Mas fora dele, também vendo na minha casa.”

Entre uma mordida e outra, a turista Maria Fernanda Souza, que veio de São Paulo especialmente para o evento, se emociona:

“Eu nunca tinha provado uma saltenha e ela me surpreendeu. Mas o mais bonito é ver como tudo aqui tem história. As pessoas cozinham com o coração e você sente isso no sabor. É mais do que comida, é cultura viva. Eu estou encantada. Vim pela música, mas a gastronomia me ganhou.”

A diversidade de sabores não para por aí. Dona Arminda Rezende dos Santos, figura tradicional nas ruas de Corumbá, também participa do Festival vendendo delícias que fazem parte do cotidiano da cidade.

“Eu vendo todo tipo de salgado, mas o que mais sai é a chipa, a sopa paraguaia, o bolo de arroz e a saltenha. Todo mundo gosta”, garante.

Sabores que cruzam fronteiras

A presença paraguaia também se sente a cada gole de tereré e a cada pedaço de chipa ou sopa paraguaia. A chipa, semelhante a um pão de queijo em formato de ferradura, é presença garantida em festas, cafés da manhã e lanches por todo o estado. Já a sopa paraguaia, apesar do nome, é um bolo salgado feito de milho, cebola e queijo, uma verdadeira tradição de sabor e memória.

Outro prato que conquistou os corumbaenses é o Pic a lo Macho, petisco boliviano feito com carne, batata frita e queijo, muito servido em bares e restaurantes da cidade. E o bolo de arroz, tradicional da região antes mesmo da divisão dos estados de MS e MT, continua sendo uma das receitas mais queridas pelas famílias locais.

Peixes, jacaré e identidade regional

Não dá para falar de gastronomia sul-mato-grossense sem mencionar os peixes: pacu, pintado e piraputanga são protagonistas de pratos que encantam moradores e turistas. O famoso pintado ao urucum, por exemplo, nasceu em Corumbá pelas mãos de Mestre João, há cerca de 50 anos, e carrega no nome a cor da terra e a alma da região.

Outra iguaria que chama a atenção é a carne de jacaré, produzida legalmente por criadouros autorizados. Com sabor delicado e surpreendente, ela tem ganhado espaço até na alta gastronomia, sempre com preparo responsável e valorizando os recursos naturais do estado.

Mais que comida: memória, encontro e celebração

No Festival América do Sul, cada barraca é um reencontro com a ancestralidade. Cada prato, uma declaração de amor à terra, às origens e aos afetos. A gastronomia ganha o status de protagonista, contando, através dos temperos as histórias de quem construiu essa cultura com as mãos, o coração e o fogo.

A culinária de Mato Grosso do Sul, celebrada em grande estilo no evento, é muito mais do que alimentação: é uma expressão viva da alma de um povo. Um convite para experimentar a cultura com todos os sentidos. E, acima de tudo, para se emocionar com ela.

Facilidade no acesso

Para facilitar a chegada do público, a organização do Festival América do Sul vai oferecer transporte coletivo gratuito. A linha “Expresso Festival” liga a parte alta à parte baixa da cidade, com horários estratégicos entre os dias 15 e 18 de maio.

Além disso, microônibus saem do Terminal Antônio Maria em direção à Orla Portuária a cada 30 minutos, com frequência ajustada conforme a demanda. O último horário dependerá do fim das apresentações.

Com uma proposta que une integração cultural, economia criativa e sustentabilidade, o Festival América do Sul 2025 reafirma seu papel como um dos maiores eventos culturais da região. Um convite ao encontro com a arte, a história, a natureza e o calor humano de Corumbá, que mais uma vez se transforma no coração vibrante da América do Sul.

Confira a programação completa do festival no site: mscultural.ms.gov.br/festival/festival-america-do-sul

Festival América do Sul agita Corumbá com cultura, turismo e comércio em alta


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *