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Cultura e Entretenimento

Montagem de Dom Casmurro amplia debate sobre racismo e misoginia

Produção do Grupo Casa será encenada neste sábado, em Campo Grande

Publicado em 15/11/2024 10:25 - Semana On

Divulgação Divulgação

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Uma nova versão de Dom Casmurro, clássico de Machado de Assis publicado em 1899, chega aos palcos para provocar reflexões contemporâneas sobre racismo, misoginia e representatividade. A peça, encenada pelo Grupo Casa – Coletivo de Artistas, será apresentada neste sábado (16.nov.24), às 20h, na Rua Visconde de Taunay, 306, Bairro Amambai, em Campo Grande (MS). A montagem também passará por Presidente Prudente (SP), no SESC, no dia 21 de novembro.

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A produção destaca-se por trazer protagonistas negros, uma escolha que subverte a obra original, marcada pela ausência de personagens afrodescendentes. Amanda Pessoa, atriz e historiadora que interpreta Capitu, reforça a importância dessa releitura. “Uma Capitu negra representa um marco importante na discussão sobre raça, gênero e poder no teatro brasileiro. Ao reimaginar a obra de Machado de Assis, a peça desafia as representações racistas e machistas da obra original, abrindo novas possibilidades de interpretação e diálogo com questões contemporâneas”, afirmou.

Uma releitura musical e política

Na adaptação, Capitu e Bento Santiago dividem o palco com uma banda de sambistas que interpreta músicas autorais e clássicos populares, como “Com Que Roupa”, de Noel Rosa. O diretor musical Leonardo de Castro descreve a trilha sonora como um elemento que intensifica o impacto narrativo: “As músicas fazem o recheio sonoro da época e brincam com as possibilidades da história”. A banda ao vivo, composta por Isabela Lopes, Leonardo de Medeiros, Caroline Mazetto e Giulia Schröder, utiliza instrumentos como o atabaque, símbolo da cultura afro-brasileira, para dar profundidade às cenas.

“A escolha do atabaque carrega uma força simbólica ligada às religiões de matriz africana e ao protagonismo negro, temas centrais do espetáculo”, explicou Castro.

Atualidade do tema em mês simbólico

Com apresentações marcadas para o mês da Consciência Negra, a peça reafirma seu compromisso com o debate social. “Por ser uma obra tão contemporânea no sentido de falar sobre nosso tempo, é um espetáculo que vale muito a pena viajar por todos os cantos”, comentou Ligia Tristão Prieto, diretora e intérprete de Bento Santiago. A diretora destacou que a montagem, vencedora do prêmio de melhor espetáculo no Festival FEMA em 2020, tem um papel revolucionário ao dar visibilidade às questões raciais e de gênero.

Machado de Assis e o dilema da negritude

Curiosamente, o próprio Machado de Assis, homem negro e um dos maiores nomes da literatura brasileira, viveu cercado por contradições. Apesar de ser descendente de pessoas escravizadas, suas obras raramente incluíam personagens negros ou abordavam diretamente o racismo. José do Patrocínio, jornalista negro e contemporâneo do autor, chegou a acusá-lo de omissão em relação às causas da população afrodescendente.

Essa ausência de representatividade ganha novos contornos na montagem do Grupo Casa, que busca dar voz a temas que Machado talvez tenha silenciado. A escolha por uma Capitu negra e uma releitura que enfatiza o racismo e a misoginia ressalta a atualidade da obra e sua capacidade de se adaptar aos tempos.

Ingressos e informações

Os ingressos para a apresentação em Campo Grande custam R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia), com valor promocional de meia-entrada para compras antecipadas. Reservas podem ser feitas pelo telefone (67) 9 9290-6961. Além da equipe artística, a montagem conta com uma equipe técnica dedicada, que inclui nomes como Fernando Averaldo (iluminação e sonoplastia) e outros profissionais responsáveis pela produção e cobertura audiovisual.


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