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Cultura e Entretenimento

Apesar de desigualdade persistir, 2016 será o ano das mulheres no cinema

Publicado em 04/01/2016 12:00 -

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Uma lidera uma máfia implacável. Outra comanda um exército. Elas brandem armas de fogo, espadas e fúria e lutam contra tudo, desde mortos-vivos até o capitalismo das grandes empresas. Mais uma leva de filmes dominados por homens? Não exatamente. Alguns dos personagens mais instigantes, diversificados e originais a serem mostrados nos próximos anos serão representados por mulheres.

A mafiosa é Kate Winslet, num papel que difere muito de seus anteriores. Em fevereiro ela será Irene no suspense "Triple A". Em abril, Helen Mirren fará uma oficial da inteligência militar no drama "Eye in the Sky". Em "Orgulho, Preconceito e Zumbis", a nova Elizabeth Bennett representada por Lily James ficará com Mr. Darcy não no salão de bailes, mas no campo de batalha, enfrentando um exército de mortos-vivos.

Esses filmes são a prova de que os papéis femininos no cinema finalmente estão se ampliando muito. Um grande sucesso de Hollywood em 2015 foi "Mad Max: Estrada da Fúria". O remake da franquia icônica de Mel Gibson arrecadou US$375 nas bilheterias, mas o crédito foi para Charlize Theron no papel de Furiosa. No thriller "Sicario -Terra de Ninguém", Emily Blunt foi aclamada pela crítica pelo papel principal da agente do FBI Kate Macer, apesar de os criadores do filme terem admitido que foram pressionados a reescrever o papel para um homem.

Sandra Bullock já disse que só vai considerar fazer papéis escritos para homens e, em janeiro, fará a estrategista política Jane Bodine em "Especialista em Crise". A personagem é inspirada em James Carville, o consultor político de Bill Clinton, e foi escrita originalmente para um homem, mas Sandra Bullock convenceu George Clooney, o produtor, que era perfeito para ela. "Não quero que os papéis masculinos mudem, mas se acho que uma mulher pode representar um papel eu vou atrás", ela disse.

Enquanto isso, na área das comédias, Paul Feig (diretor de "Missão Madrinha de Casamento") vai criar um remake de "Os Caça-Fantasmas" com os gêneros invertidos, tendo Kristen Wiig, Melissa McCarthy, Kate McKinnon e Leslie Jones como protagonistas e Chris Hemsworth fazendo o secretário delas. Por que? É em parte questão de conquistar um novo terreno.

Na televisão, Tina Fey elevou "Saturday Night Live" para um novo patamar de fama com um público mais jovem e feminino, e seu seriado "30 Rock" foi tremendamente popular entre homens e mulheres. As posições francas de Lena Dunham e Amy Schumer em relação ao sexo e aos corpos imperfeitos direcionaram os holofotes mais ainda sobre o humor feminino.

As comédias lideraram e outros gêneros seguiram. Enquanto o primeiro lugar da lista da "Forbes" dos atores mais rentáveis de 2015 foi de Chris Evans, os outros nomes dos "top five" eran mulheres: Mila Kunis, Scarlett Johansson, Gwyneth Paltrow e Emma Stone. "A Espiã que Sabia de Menos", "Descompensada", "Carol" e "Mad Max: Estrada da Fúria" dominaram as indicações ao Globo de Ouro este ano, um indício certeiro do que o Oscar nos reserva.

O cinema sempre deu papéis importantes às mulheres, mas Hollywood foi e ainda é dominada por homens. Segundo um estudo de 2014 do Instituto Geena Davis do Gênero na Mídia, tanto nos EUA quanto no Reino Unido, apenas 30% dos filmes de maior bilheteria tinham protagonistas ou co-protagonistas mulheres. "A porcentagem de personagens femininos com falas nos filmes de maior bilheteria não mudou muito em meio século", diz o estudo. "Quando são retratadas em conteúdos populares, as mulheres muitas vezes são estereotipadas e sexualizadas."

O estudo do Instituto Geena Davis diz ainda: "Hollywood é ágil quando se trata de capitalizar sobre novas plateias e oportunidades no exterior, mas demora a criar papéis complexos e convincentes para mulheres".

Alison Owen, produtora de "As Sufragistas", concorda: "Hollywood fala muito em mudar, mas no Reino Unido vemos bem mais mudanças concretas. Ainda há um caminho muito longo a percorrer, não apenas nos papéis principais mas também nos coadjuvantes e até figurantes."

A equipe técnica de "As Sufragistas" era dividida quase igualmente entre homens e mulheres. "Precisamos de muito mais mulheres atrás das câmeras e no departamento elétrico."

Avanços estão sendo conquistados longe das câmeras. Em 2012 Reese Witherspoon criou a Pacific Standard Productions, que produziu o indicado ao Oscar "Livre", deste ano. E, quando recebeu seu Oscar de melhor atriz coadjuvante por "Boyhood", Patricia Arquette condenou publicamente a disparidade salarial entre atores e atrizes, sendo aplaudida com vigor.

Como diz o novo Mr. Bennett em "Orgulho, Preconceito e Zumbis", "minhas filhas foram preparadas para o campo de batalha, não para ficar na cozinha".

AS HEROÍNAS
O que vem por aí

KATE WINSLET

HELEN MIRREN

SANDRA BULLOCK


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