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Cultura e Entretenimento
Apenas 16% brasileiros maiores de 18 anos compraram ao menos 1 livro em 2024
Publicado em 16/02/2025 11:17 - Semana On
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Pesquisa da Câmara Brasileira do Livro, intitulada Panorama do Consumo de Livros, mostra que 16% da população brasileira acima de 18 anos afirmam ter comprado ao menos um livro nos últimos 12 meses. Comparado a outras atividades culturais, o livro foi a segunda categoria mais consumida, ficando apenas atrás do cinema. A maior parte dos consumidores comprou entre três e cinco livros nos últimos 12 meses.
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As mulheres representam 62% dos consumidores que compraram mais de dez livros nos últimos 12 meses. Quarenta e um por cento dessas mulheres são da classe B e 39% da classe C. As mulheres da classe B estão concentradas no Nordeste e as da classe C no Sudeste.
Segundo o estudo, a maior parte dos consumidores acha caro os livros escolares e os livros para aprimoramento pessoal e profissional. Os livros para entretenimento e lazer, assim como os livros infantis e juvenis, não são considerados caros nem baratos.
A pesquisa mostra que 55% dos consumidores preferem comprar livros em lojas online e 39% preferem comprar em lojas físicas. O Nordeste é a região que concentra o maior percentual da população que prefere comprar online.
Aqueles que preferem comprar livros em lojas online apresentam maior consumo de outros bens relacionados à internet e tecnologia. Já aqueles que preferem comprar livros em lojas físicas apresentam maior grau de consumo de outros bens culturais. A maioria dos consumidores afirmou que compraria livros em lojas físicas caso o preço fosse equivalente ao da loja online.
De acordo com o levantamento, 56% dos consumidores compraram apenas livros físicos nos últimos 12 meses, 14% deles apenas livros digitais e 30% consumiram tanto livros impressos quanto livros digitais. Os homens concentram o maior percentual dos consumidores que compram apenas livros digitais. O Sul do país tem o menor percentual de consumidores que compram apenas livros digitais e o Nordeste concentra o maior percentual (36%) de pessoas que consumiram livros nos dois formatos.
Pesquisa aponta perda de quase 7 milhões de leitores em 4 anos
A leitura de livros está sendo praticada por menos pessoas no Brasil: divulgada em novembro passado, a 6ª edição da “Retratos da Leitura no Brasil” aponta que 53% dos entrevistados não leram nem mesmo parte de uma obra nos três meses anteriores à pesquisa.
É a primeira vez na série histórica que o levantamento conclui que a maioria dos brasileiros não leem livros. O levantamento considera tanto a leitura de livros impressos quanto digitais, além de não restringir qualquer gênero, incluindo didáticos, bíblia e religiosos.
“Se considerarmos somente livros inteiros lidos, no período de três meses anteriores à pesquisa, o percentual de leitores é ainda menor, de 27% dos brasileiros”, afirma a pesquisa.
O número de não leitores verificado em 2024 representa um aumento de cinco pontos percentuais em relação ao de 2019, que era a edição mais recente da pesquisa. Os dados deste ano são os que apresentam o maior total de “não-leitores” na série histórica do levantamento, que começou em 2007.
A “Retratos da Leitura” é considerada a pesquisa mais abrangente na tarefa de medir o comportamento do leitor brasileiro. Ela foi feita pelo Instituto Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) e ouviu 5.504 entrevistados durante visitas domiciliares em 208 municípios entre 30 de abril e 31 de julho de 2024.
A pesquisa é uma iniciativa do Instituto Pró-Livro (IPL) e contou com parceria da Fundação Itaú e apoio da Associação Brasileira de Livros e Conteúdos Educacionais (Abrelivros), da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL).
Quase 7 milhões de leitores a menos
Considerando a estimativa populacional brasileira, os dados apontam que o país tem atualmente 93,4 milhões de leitores (considerando a população com cinco anos ou mais). Nos últimos quatro anos, houve uma redução de 6,7 milhões de leitores no país, de acordo com os dados.
A leitura motivada pelo gosto diminui quanto maior a faixa etária dos indivíduos. Entre as crianças de 5 a 10 anos, 38% dizem ler por esse motivo. Durante a adolescência e até os 24 anos, esse índice varia de 31% a 34%.
“Essa redução está em sintonia e pode explicar os demais resultados de queda no percentual de leitores e na média de livros lidos. (…) Esses dados revelam que estamos perdendo esses potenciais leitores, que disseram gostar muito ou gostar um pouco de ler. O que nos faz perguntar o que estamos deixando de fazer para manter esse interesse”, afirma Zoara Failla, coordenadora da pesquisa.
Escola deixa de ser lugar de leitura?
A maioria dos entrevistados cita a própria casa (85%) como o lugar onde costuma ler. Entretanto, os responsáveis pela pesquisa notam uma queda na identificação da escola como lugar de referência para a leitura. “É preocupante notar como as salas de aula estão deixando de ser um lugar de leitura, conforme a série histórica demonstra”, comenta Zoara Failla.
Segundo a pesquisa, em 2007, 35% citaram o espaço escolar como o lugar onde costuma ler livros. “Em 2011, foram 33%. Na edição seguinte, de 2015, as menções correspondiam a 25% da população. Em 2019, foram 23%. E agora foi de 19%, o menor índice já registrado”, apontam os organizadores da pesquisa.
Os dados mostram ainda que a indicação de livros pela escola tem um peso cada vez menor na motivação. “Considerando o livro atualmente lido pelo entrevistado, apenas 4% responderam que o faziam por recomendação escolar, proporção que foi de 25% em 2011, e 10% nas duas últimas edições da pesquisa (2015 e 2019)”, afirmam os analistas da pesquisa.
Acompanhando a queda no percentual de leitores no país, o número médio de leitores por gênero também caiu. Apesar disso, as mulheres continuam lendo mais que os homens.
De 2019 para 2024, o percentual de mulheres leitoras caiu 5%, ficando em 49% nacionalmente. Já entre os homens, a queda foi de 6%, chegando a 44%.
A estimativa do levantamento é de que haja 50,4 milhões de mulheres leitoras e 42,9 milhões de homens leitores no país.
Leitura em MS
Os dados divulgados pela pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” indicam que a região Centro-Oeste foi a única das cinco do país onde houve aumento proporcional do número de leitores: atualmente, 47% da população local leu total ou parcialmente pelo menos um livro nos últimos três meses anteriores à pesquisa, um ponto percentual a mais do que na pesquisa realizada em 2019.
Mesmo assim, os dados seguem baixos, indicando que menos da metade da população lê. Mato Grosso é o destaque negativo: com apenas 36% de leitores, só perde para o Rio Grande do Norte (33%), do Nordeste, a posição de estado com menor número de leitores do Brasil.
Mato Grosso do Sul tem 40% de leitores. Goiás e Distrito Federal estão entre os poucos estados brasileiros que superaram a marca de 50%: ambos aparecem com 52% de leitores em suas populações. Goiás se destaca em livros indicados pela escola nos últimos três meses (0,60) e obras lidas por vontade própria (2,02).
No quesito livros de literatura lidos por vontade própria, o Distrito Federal aparece com 0,79 contra 0,76 de Goiás, 0,46 do Mato Grosso do Sul e 0,38 Mato Grosso. No Mato Grosso e Mato Grosso do Sul 74% e 78% dos entrevistados NÃO leem literatura por vontade própria.
No Distrito Federal 17% leem pelo menos uma vez por semana independente de ser em papel ou formato digital. Quando se trata de aquisição de livros, no Centro-Oeste 30% dos entrevistados compram seus livros em lojas físicas e 19% pela internet.
Consumo de livros no Brasil
– Em 2021, foram vendidos 55 milhões de livros, gerando R$ 2,28 bilhões.
– Em 2023, 84% da população adulta não comprou nenhum livro nos últimos 12 meses.
– A maioria dos compradores está concentrada nas classes C e B.
– As regiões Sudeste e Nordeste concentram a maioria dos consumidores de livros.
– A ocupação mais citada é no setor privado, seguida por profissionais autônomos e servidores públicos.
Leitura de livros no Brasil
– 73% dos brasileiros não completaram nenhuma leitura.
– 52% dos brasileiros haviam lido ao menos parte de uma obra.
– 31% havia completado uma leitura nos três meses que antecederam a pesquisa.
Panorama mundial
– O Brasil ficou em 52º lugar em um ranking internacional de leitura.
– Cingapura, Irlanda e Hong Kong aparecem no topo da lista.
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