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Comportamento
Foram 470 mil afastamentos por transtornos psicológicos em 2024
Publicado em 03/05/2025 10:23 - Semana On
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O Brasil enfrenta uma crise de saúde mental sem precedentes entre seus trabalhadores, impulsionada por anos de desmonte de políticas públicas e por condições laborais cada vez mais hostis. Apenas nos primeiros meses de 2024, o país já registrou 470 mil afastamentos por transtornos como depressão e ansiedade, conforme dados da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro). O número alarmante evidencia o que especialistas já classificam como uma “epidemia de adoecimento mental” no ambiente de trabalho.
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O alerta foi feito por Pedro Tourinho, presidente da Fundacentro, durante entrevista ao programa Conexão BdF, do portal Brasil de Fato. “A pressão que massacra o trabalhador hoje está relacionada a cobrança de metas irrealizáveis, baixa clareza nas tarefas, relações de assédio frequentes e jornadas exaustivas”, afirmou Tourinho, chamando atenção para a urgência de revisar a jornada 6×1 — seis dias de trabalho para um de descanso — que, segundo ele, está no centro das discussões mais relevantes do país.
Os dados se tornam ainda mais preocupantes quando colocados em perspectiva histórica. O Brasil figura consistentemente entre os países com maiores índices de acidentes de trabalho no mundo. Em 2024, já foram registrados cerca de 740 mil acidentes, resultando em 2.400 mortes — números que, de acordo com o presidente da Fundacentro, podem estar subestimados devido à alta informalidade e à subnotificação.
Segundo Tourinho, a deterioração das condições de trabalho não é fruto do acaso. Ele afirma que houve “um ataque sistemático” à saúde e à segurança do trabalhador durante os governos de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL). “Foi um período em que toda a agenda de proteção à saúde do trabalhador foi duramente atacada”, afirmou. As consequências dessa política, segundo ele, ainda estão sendo contabilizadas em forma de sofrimento psicológico, precarização e mortes evitáveis.
Outro fator agravante apontado por Tourinho são as mudanças climáticas, que tornam o trabalho a céu aberto cada vez mais perigoso. Ele menciona os casos recorrentes de trabalhadores do setor sucroalcooleiro, especialmente em canaviais, que sofreram exaustão e até morreram devido ao calor extremo. “Infelizmente, com a mudança climática, isso tende a se estender para outros contextos de trabalho rural e urbano”, alertou.
Diante do cenário desolador, uma medida recente trouxe um sopro de esperança: o anúncio da abertura de 65 novas vagas por concurso público para a Fundacentro, feito pela ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck. É a primeira reposição significativa de pessoal em mais de uma década. Para Tourinho, o gesto sinaliza um compromisso do governo Lula e do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, com a reconstrução de uma política nacional de proteção à saúde do trabalhador. “Não tenho dúvidas de que isso vai significar a recuperação das perdas dos últimos anos e a sustentabilidade da Fundacentro nas próximas décadas”, declarou.
A fala do presidente da Fundacentro sublinha um ponto essencial: o trabalho, embora seja um instrumento de realização pessoal e sustento, também tem se tornado, cada vez mais, espaço de sofrimento e violência. “O trabalho é onde realizamos nossos planos e sonhos, mas também é um espaço de silêncio, submissão e dor. Por isso, é fundamental pensar sempre na saúde e segurança do ambiente de trabalho”, concluiu Tourinho.
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