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Comportamento

76% dos pais brasileiros temem bullying escolar

Preocupação é maior entre mães e famílias negras

Publicado em 23/11/2024 10:25 - Semana On

Divulgação Reprodução

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Uma pesquisa do Datafolha revelou que 76% dos pais e mães brasileiros têm medo de que seus filhos sofram bullying na escola. O estudo, realizado em novembro de 2024, evidenciou desigualdades na percepção desse temor entre diferentes grupos raciais e de gênero, com destaque para a maior preocupação entre mães e famílias negras.

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Entre os entrevistados, metade (50%) afirmou ter “muito medo” dessa situação. O índice sobe para 65% entre as mães, enquanto apenas 32% dos pais relatam o mesmo nível de preocupação. Vivian Barros, especialista em educação e membro da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro, aponta que essa diferença pode estar relacionada ao fato de que 49% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres, segundo o Censo de 2022, e ao papel majoritariamente feminino no cuidado infantil.

No recorte racial, os dados mostram que pais e mães negros têm mais medo de que seus filhos sejam alvos de bullying, especialmente por questões relacionadas à aparência física e vestimenta. Entre pessoas pretas, 65% têm muito medo de que seus filhos enfrentem situações de intimidação na escola, contra 49% entre pardos e 42% entre brancos.

A pesquisadora Odara Philomena, do Afro-Cebrap, explica que, embora bullying e racismo sejam fenômenos distintos, eles frequentemente se sobrepõem. “O bullying pode partir de questões raciais, e a escola muitas vezes é o primeiro espaço onde crianças vivenciam situações de racismo. Termos pejorativos usados contra crianças negras geralmente carregam um teor racial repetitivo”, afirma.

Aparência e vestimenta: outras fontes de preocupação

O medo de discriminação pela aparência física foi relatado por 52% dos entrevistados. Entre mães e pais negros, a preocupação é ainda maior: 45% relatam “muito medo”, ante 28% dos pardos e apenas 18% dos brancos.

A gestora pública Kelly Baptista, mãe de dois meninos negros de 6 e 10 anos, compartilhou sua experiência: “As pessoas criam padrões, e nós, pessoas pretas que não estamos neles, sempre somos discriminados. O tema já foi assunto de terapia para mim”, relata. Ela acrescenta que o temor também está ligado a questões mais amplas de segurança. “Tenho medo de que, no futuro, meus filhos sejam confundidos, agredidos ou mortos pela polícia. Meu medo é baseado em estatísticas e relatos de amigos.”

Escolas como espaços de transformação

Para Vivian Barros, as escolas têm papel fundamental na prevenção e tratamento do bullying e do racismo. “É necessário que essas instituições estejam alinhadas à comunidade escolar para desenvolver ações efetivas”, defende.

Philomena enfatiza a importância da educação antirracista como ferramenta para mudar a realidade das crianças negras no ambiente escolar. “Precisamos repensar nossos processos para diminuir esses temores e garantir um futuro mais seguro para nossas crianças”, conclui.

A pesquisa Datafolha entrevistou 1.312 pais e mães de todas as regiões do Brasil, com margem de erro geral de três pontos percentuais. As conclusões reforçam a urgência de medidas que promovam a inclusão, o respeito e a igualdade racial desde a infância.


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