22/06/2024 - Edição 540

Meia Pala Bas

É Piracema!

Publicado em 13/02/2015 12:00 - Rodrigo Amém

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Carnaval é o período em que o brasileiro dá férias ao cérebro e hora extra ao fígado. Isso sem falar, é claro, dos outros órgãos bem requisitados durante a festividade. Carnaval é a versão humana da piracema. É quando nadamos contra a maré da evolução humana rumo à nascente da nossa civilização. Ao relacionamento tribal, ao estágio mais animalesco, despudorado e inconsequente da condição humana. É quando o brasileiro, seja ele português, crente ou rico, volta a ser índio.

E isso nem é exclusividade tupiniquim. Toda cultura, de um jeito ou de outro, tem sua festividade dedicada à expressão dos desejos da carne. Os EUA têm o Halloween, calcado em dois fascínios americanos: morte e guloseimas. Os sisudos alemães celebram a Oktoberfest, onde os germânicos se rendem à cerveja, salsichões e bermudas com suspensórios. Todo povo tem seu momento de dizer coletivamente: “Desisto dessa pose toda! Eu quero mais é rosetá!”

É a época do ano em que pedimos trégua ao contrato social e admitimos o que a ciência sempre soube e a religião jamais admitirá: somos bichos. Temos desejos, instintos e comportamento de bicho. E este é o momento em que nos unimos em loucura e delírio para celebrar tudo que nos envergonha no resto do ano.

Semana que vem a gente volta a vestir a coleira social, seguir o fluxo da correnteza e fazer de conta que levamos a vida a sério. Boa piracema para você, leitor.

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Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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