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Brasil tem cerca de 30 milhões de animais domésticos abandonados

O abandono de animais é crime, saiba como denunciar

Publicado em 02/01/2026 11:02 - Sonia Peçanha

Divulgação Agência Brasil

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O Brasil convive com uma estimativa estável, desde o início da década, de cerca de 30 milhões de animais domésticos abandonados, entre cães, gatos e outras espécies. O número expõe um problema estrutural, que se agrava em períodos de mudanças de rotina, como férias e deslocamentos prolongados das famílias, quando aumentam os casos de abandono e de fugas.

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Além da ruptura do vínculo com seus cuidadores, esses momentos costumam trazer fatores adicionais de estresse para os animais, como longos períodos de solidão e ambientes desconhecidos, o que amplia os riscos à segurança e ao bem-estar. Especialistas alertam que o cuidado responsável vai além da oferta de alimento e abrigo, envolvendo também atenção às necessidades emocionais dos pets.

“Há constantes progressos na relação estabelecida entre pessoas e animais de estimação, com interações cada vez mais próximas, intensas e emocionais. Termos como ‘posse’ e ‘proprietário’ já não são mais apropriados. Ser responsável por um animal exige garantir todas as suas necessidades, físicas e emocionais”, explica Daniela Ramos, presidente da Comissão Técnica de Bem-Estar Animal do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP).

O conselho destaca a importância da orientação contínua aos tutores e do fortalecimento de serviços voltados ao bem-estar animal. Planejamento e adequação de rotina estão entre os pontos centrais, especialmente considerando que cães e gatos podem viver mais de dez anos. Situações excepcionais, como viagens ou férias, exigem organização prévia para evitar impactos negativos no desenvolvimento e no conforto dos animais.

Além das necessidades fisiológicas, o bem-estar emocional também deve ser considerado. A sensação de ausência dos cuidadores pode provocar ansiedade e alterações de comportamento. Uma das alternativas indicadas é acostumar o animal, gradualmente, a outras pessoas ou ambientes de referência, reduzindo o impacto da ausência dos tutores.

“Muitos casos de abandono poderiam ser evitados se, antes da adoção, as pessoas refletissem sobre questões práticas, como o que fazer com o animal em caso de mudança ou quem cuidará dele durante uma viagem”, ressalta Daniela Ramos. Segundo ela, a decisão de adotar deve ser resultado de uma avaliação responsável e de longo prazo.

“A adoção exige preparo. Nenhum animal chega pronto para a convivência. É necessário ensinar, orientar e construir uma rotina em harmonia com a família. Todos os moradores da casa têm papel fundamental nesse processo”, complementa.

Abandono é crime

O abandono de animais é crime, conforme a Lei 9.605/1998. Denúncias podem ser feitas aos órgãos de segurança pública, por meio da Delegacia Eletrônica de Proteção Animal e do Disque Denúncia Animal, pelo telefone 0800-600-6428.

A prática pode resultar em pena de até um ano de prisão, agravada nos casos em que haja indícios de maus-tratos ou risco à saúde do animal.

SONIA PEÇANHA

É veterinária no Rio de Janeiro.

Cães acompanharam humanos em migrações há milênios

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Sonia Peçanha


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