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Entenda a importância do diagnóstico e tratamento adequado
Publicado em 25/11/2024 11:02 - Sônia Peçanha
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Diagnosticar a dor em um animal não é uma tarefa simples. Como acontece com pediatras ou médicos que tratam pacientes que não podem se comunicar, veterinários enfrentam o desafio de identificar sinais de sofrimento em seres que não expressam a dor em palavras. No entanto, estudos confirmam que todos os animais vertebrados sentem dor de forma semelhante aos humanos, embora cada espécie demonstre o incômodo de maneiras diferentes.
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Por muito tempo, a capacidade dos animais de sentir dor foi subestimada, tanto na prática veterinária quanto no ensino universitário. Há alguns anos, práticas de manejo em disciplinas de produção animal, como castrações sem anestesia ou analgesia, eram comuns nas faculdades. Felizmente, comissões de ética hoje proíbem tais procedimentos nas universidades, mas a realidade nas fazendas ainda expõe animais a situações de sofrimento extremo.
Esse contexto contribuiu para que muitos profissionais ainda não saibam reconhecer ou tratar adequadamente a dor em seus pacientes. Uma visão ultrapassada sugere que a dor no período pós-operatório “ajuda” na recuperação, impedindo o movimento excessivo. No entanto, especialistas alertam que a dor, na verdade, prolonga o tempo de recuperação e aumenta os riscos de complicações.
A resistência à atualização sobre a terapia da dor é evidente. Recentemente, um veterinário que denunciou práticas inadequadas em um programa de televisão foi criticado em grupos da profissão, sendo chamado de “veterinário Nutella” por defender o uso de anestesia e analgesia. Episódios como a castração de um cachorro em condições precárias por estudantes de veterinária reforçam como a desvalorização da dor animal persiste, mesmo entre futuros profissionais.
Por que tratar a dor é essencial
A dor mal tratada não é apenas um incômodo: ela prejudica diversos sistemas do organismo. O estresse causado pela dor libera hormônios como cortisol e adrenalina, que, a longo prazo, podem causar danos a órgãos vitais como o coração e os rins. Além disso, a dor aguda pode evoluir para quadros crônicos, difíceis de identificar e tratar.
Animais não verbalizam o sofrimento, mas exibem sinais que podem indicar dor. Alterações comportamentais, como apatia, falta de apetite e busca excessiva por atenção, são pistas importantes, especialmente em gatos, que tendem a mascarar o sofrimento.
Para auxiliar os diagnósticos, foram desenvolvidas escalas de avaliação da dor, que padronizam a percepção do incômodo com base em aspectos como postura, vocalização e sensibilidade ao toque. Uma dessas ferramentas, a Escala de Dor Facial Felina, foi desenvolvida pela pesquisadora Marina Cayetano Evangelista e utiliza mudanças na expressão facial dos gatos para identificar o nível de dor.
Evolução no tratamento
Nas últimas décadas, o tratamento da dor animal evoluiu significativamente. Hoje, a abordagem considera o grau e o tipo de dor, utilizando uma combinação de medicamentos analgésicos, anti-inflamatórios e anestésicos. Técnicas complementares como fisioterapia e acupuntura também são amplamente recomendadas, especialmente para casos crônicos, reduzindo a dependência de medicamentos a longo prazo.
A dor agora é reconhecida como um sinal vital, assim como a temperatura e a frequência cardíaca. Essa mudança reforça a importância de avaliá-la em exames clínicos de rotina.
Embora a identificação da dor seja um trabalho especializado, os tutores têm papel crucial ao observar mudanças no comportamento do pet e buscar ajuda profissional. Além disso, nunca se deve administrar medicamentos humanos sem orientação veterinária, pois muitos analgésicos podem ser tóxicos para animais, levando a consequências fatais.
No Brasil, serviços especializados, como o Ambulatório da Dor do Hospital Veterinário da FMVZ-USP, estão disponíveis para oferecer atendimento dedicado a casos complexos.
Respeito e cuidado com a saúde animal
O reconhecimento da dor nos animais é um avanço não apenas técnico, mas ético. Assim como humanos, eles merecem viver livres de sofrimento desnecessário. Valorizar a terapia da dor é garantir bem-estar e qualidade de vida aos nossos companheiros de quatro patas.
Na dúvida, procure sempre um veterinário especializado. Afinal, eles não podem dizer com palavras, mas a dor é um grito silencioso que só quem ama sabe ouvir.
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SONIA PEÇANHA
É veterinária no Rio de Janeiro.
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