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Passageiros relatam uma experiência marcada por superlotação, atrasos e ônibus em estado de conservação questionável
Publicado em 22/11/2024 8:46 - Semana On
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Enquanto a Prefeitura de Campo Grande celebra os resultados do último relatório de monitoramento do transporte público como uma conquista, os usuários do sistema têm uma visão diametralmente oposta. Publicado na quinta-feira (21), o documento apresenta índices classificados como “bom”, “ótimo” ou “excelente” para o transporte coletivo da cidade, cobrindo os meses de agosto, setembro e outubro de 2024. No entanto, passageiros relatam uma experiência marcada por superlotação, atrasos e ônibus em estado de conservação questionável.
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O relatório, produzido como parte do Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) firmado entre a Prefeitura e o Tribunal de Contas do Estado (TCE), apresenta dados que sugerem um sistema de transporte coletivo eficiente e de alta qualidade. Entre os índices destacados, estão:
– Conforto: Avaliado como “excelente” com pontuações de 0,34 no horário de pico e 0,26 fora do pico em outubro (valores abaixo de 0,70 são considerados excelentes).
– Pontualidade: Também classificada como excelente, com 97,56% de conformidade no mês de outubro.
– Outros indicadores como universalidade de atendimento, regularidade, eficiência, cortesia e características da frota receberam avaliações igualmente positivas.
“Os esforços contínuos refletem o compromisso com as diretrizes estabelecidas e as necessidades da população”, diz o documento, assinado por chefes de auditoria da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito).
A realidade enfrentada pelos passageiros
Apesar do otimismo do relatório, os usuários do sistema pintam um cenário bem diferente. Reclamações sobre atrasos constantes, ônibus lotados e veículos em mau estado de conservação são frequentes.
“Eles falam de conforto e pontualidade, mas acho que nunca andaram em um ônibus no horário de pico. É uma luta para entrar, sem falar no calor insuportável”, relata Fernanda Oliveira, estudante de 22 anos que utiliza o transporte público diariamente para ir à universidade.
Superlotação é uma das queixas mais recorrentes. “Você paga caro para andar espremido como sardinha. Tem ônibus que parece que vai desmontar no meio do caminho”, reclama João Pedro, auxiliar administrativo, destacando que a tarifa elevada não condiz com a qualidade do serviço.
A desconexão entre números e realidade
Há uma desconexão entre os indicadores técnicos e o cotidiano dos usuários. Índices como pontualidade e conforto são importantes, mas muitas vezes são avaliados com base em dados internos e não refletem a percepção real dos passageiros. A superlotação, por exemplo, pode não ser considerada em relatórios que se baseiam apenas no cumprimento de horários e na frequência prevista.
A falta de auditorias independentes e pesquisas diretamente com os usuários do sistema também é alvo de críticas. Sem ouvir quem depende do transporte público, qualquer avaliação corre o risco de ser parcial.
Um sistema à prova de críticas?
A apresentação do relatório como um reflexo de “esforços contínuos” também é vista com ceticismo por parte da população. Para muitos, o documento parece mais uma estratégia de autopromoção do que uma ferramenta para resolver os problemas do transporte público.
“O que adianta ter um relatório dizendo que tudo é excelente se as pessoas continuam sofrendo no dia a dia?”, questiona Carla Ribeiro, moradora do bairro Moreninhas. “Parece que vivem em uma cidade diferente da nossa.”
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